Pibid do Campus Uberlândia Centro conquista posições de destaque na V Mostra de Projetos de Ensino do IFTM 2025
Crédito: Guilherme Brasil/IFTM Udicentro
O Campus Uberlândia Centro, do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), conquistou todas as posições de destaque do eixo “Programas PIBID, PET e PET Institucional: lições e aprendizados” na V Mostra de Projetos de Ensino, que fez parte da programação do Universo IFTM. Os três primeiros lugares foram alcançados por bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), vinculados ao subprojeto do curso de Licenciatura em Computação.
O primeiro lugar foi concedido ao trabalho “A robótica como ferramenta de engajamento no PIBID para o Ensino Médio e EJA”, apresentado por Vinícius Oliveira Magalhães. Em segundo lugar, ficou o projeto “Ensino de computação na educação básica: experiências com o Scratch no PIBID”, assinado por Eliseu Ribeiro Borges. O terceiro lugar foi conquistado pela estudante Andressa Francisco Vieira, autora da proposta “Experiência pedagógica em computação: o Ensino Médio e a Inteligência Artificial no PIBID”.
“A Mostra é o momento de socializar o que foi vivido na escola. Ver os estudantes apresentando seus trabalhos com segurança mostra a força da formação que o PIBID oferece”, avalia a coordenadora do subprojeto de Licenciatura em Computação do Pibid no Campus Uberlândia Centro, professora Keila de Fátima Chagas Nogueira.
Os três trabalhos são exemplos de ações realizadas pelos 16 bolsistas do subprojeto de Computação do Pibid, que atuam na Escola Estadual Segismundo Pereira e na Escola Estadual Parque São Jorge, atendendo turmas do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A participação na Mostra consolidou um ano de atividades que envolveram ensino de programação, projetos de Inteligência Artificial, oficinas de segurança digital e práticas de robótica adaptadas à realidade das escolas.
O Pibid no Campus Udicentro: escolas, equipes e objetivos
O Programa estrutura-se em subprojetos vinculados aos cursos de licenciatura de cada campus. No caso do Campus Uberlândia Centro, o Pibid é desenvolvido no âmbito do curso de Licenciatura em Computação, que organiza suas ações formativas a partir de um subprojeto específico voltado ao ensino de computação na educação básica. É esse subprojeto, com atividades distribuídas em duas escolas públicas da rede estadual, que reúne os bolsistas responsáveis pelos projetos premiados na Mostra de Ensino.
O subprojeto de Computação do Pibid atua em duas instituições da rede estadual: as escolas Segismundo Pereira e Parque São Jorge, com oito bolsistas em cada uma delas. O projeto, iniciado em 2025 e com vigência até 2026, integra formação teórica, vivência docente e ações pedagógicas realizadas em diferentes modalidades de ensino. As atividades incluem observação da escola, planejamento de aulas, regência supervisionada, elaboração de materiais, uso de tecnologias digitais, pesquisa em campo e socialização de resultados em eventos.
A coordenadora do subprojeto do Pibid no Campus Uberlândia Centro, professora Keila de Fátima Chagas Nogueira, destaca que a inserção precoce na escola pública é decisiva para a formação dos licenciandos. “Os estudantes vivenciam realidades muito distintas e aprendem a se adaptar. Para muitos deles, é a primeira experiência em sala de aula, e esse contato transforma a formação acadêmica.”
O edital previa 28 bolsas, mas a seleção inicial não alcançou o número de candidatos. Atualmente, as 16 bolsas em vigência são mantidas com lista de espera ativa, acompanhando a entrada da nova turma da Licenciatura em Computação.
A diversidade das escolas: infraestrutura, desafios e soluções
As duas escolas atendidas apresentam contextos bastante distintos. Na Escola Estadual Segismundo Pereira, o acesso ao laboratório de informática favorece o desenvolvimento de atividades mais estruturadas, como projetos de Scratch, jogos digitais e introdução à lógica de programação. Já na Escola Estadual Parque São Jorge, onde os bolsistas atuam com turmas do Ensino Médio e da EJA, os bolsistas contam com computadores menos atualizados, falta de internet e ambientes de sala de aula que exigem adaptações constantes.
Keila reforça que a dinâmica do projeto depende do contexto de cada instituição. “Tem escola que não tem Arduino, tem escola que não tem internet. Os bolsistas precisam pensar alternativas e reorganizar a aula conforme o que existe naquele espaço. Esse exercício é fundamental para a formação docente”, afirma a professora.
A realidade da escola Parque São Jorge, por exemplo, envolve estudantes adultos que trabalham durante o dia, o que demanda estratégias mais acessíveis, contextualização constante e adoção de metodologias ligadas ao cotidiano dos alunos.
Tecnologias na sala de aula: IA, Scratch, Robótica e Segurança Digital
Os projetos apresentados na Mostra refletem a diversidade de práticas desenvolvidas ao longo do ano. Na Segismundo Pereira, as ações envolveram pensamento computacional com Scratch, introdução à Inteligência Artificial e práticas iniciais de robótica. Na Parque São Jorge, por sua vez, o foco esteve em segurança digital, informática básica e estratégias de adaptação tecnológica, como uso pedagógico de celulares e analogias com games.
No 3º ano do Ensino Médio da Segismundo, a bolsista Andressa Francisco Vieira desenvolveu um projeto sobre Inteligência Artificial, abordando funcionamento de algoritmos, coleta de dados, influência algorítmica e ética digital. “Eles não sabiam como funcionava a coleta de dados e a influência dos algoritmos. No final das aulas, o feedback foi muito positivo”, conta.
Também na Segismundo, Jordana Vitória Rabelo Silva e Eliseu Ribeiro Borges atuaram com programação em blocos por meio do Scratch, incentivando lógica, criatividade e construção de pequenos jogos. Jordana afirma que a vivência ampliou sua visão sobre a docência. “Sair do olhar de aluno para o de professor foi um choque, mas um choque muito bom. Hoje eu vejo que amo lecionar”, afirma.
Eliseu, por sua vez, relata que o contato inicial dos estudantes com programação foi decisivo para despertar novos interesses. “Alguns já tinham interesse, outros descobriram que a computação também tem seu lado legal”.
Na escola Parque São Jorge, Elielson José dos Santos trabalhou segurança digital, discutindo práticas de proteção de dados, verificação de duas etapas e criação de senhas seguras. “Trabalhei muito a segurança digital: uso de senhas, verificação em duas etapas e o entendimento de que, por trás de um aplicativo gratuito, o pagamento são os dados pessoais”, explica o bolsista.
Já Ivanir da Silva Santos adaptou suas aulas à infraestrutura precária da escola, que conta com computadores mais antigos, ausência de internet e turmas numerosas da EJA. Ele recorreu ao uso de celulares e à linguagem dos games como aproximação com seu grupo de estudantes. “A escola tinha máquinas com atraso de 15 a 20 anos. Mesmo assim, conseguimos fazer um bom trabalho com os estudantes”, avalia.
Percursos formativos: o impacto do Pibid na escolha pela docência
Além dos conteúdos trabalhados, as vivências dos bolsistas revelam a dimensão formativa do programa. Para muitos deles, o Pibid representou a primeira oportunidade de assumir uma turma, planejar aulas e compreender a dinâmica real da escola pública.
Andressa relata que a experiência inicial de regência foi marcante. “Assim que eu pisei pela primeira vez na sala de aula, tive certeza de que quero ser professora”. Já Jordana reforça o papel do programa na construção da identidade docente. “O Pibid foi um divisor de águas. Quando você vê os alunos engajados e entendendo, é muito bonito”, conta.
Elielson, por sua vez, destaca que a experiência o ajudou a adquirir segurança para falar em público. “Era minha primeira vez como professor. O Pibid abriu caminho para eu ter firmeza para falar”. Para Ivanir, que já havia sido professor antes de ingressar na Licenciatura, o programa garantiu sua permanência na universidade. “A bolsa permite que estudantes pobres permaneçam no curso. Sem isso, muita gente não conseguiria estudar.”
O papel das escolas parceiras e dos professores supervisores
As atividades do Pibid dependem de uma articulação direta entre o IFTM e as escolas parceiras. Os supervisores da rede estadual acompanham os bolsistas em sala, orientam estratégias, dialogam sobre planejamento de aula e contribuem para aproximar teoria e prática. Essa parceria permite alinhar os conteúdos às demandas reais das turmas, desde alfabetização digital até reforço das competências da BNCC.
O trabalho conjunto também garante que os estudantes da licenciatura compreendam a rotina dos professores da educação básica, participando de reuniões pedagógicas, conselhos de classe, planejamentos coletivos e atividades extracurriculares.
Do laboratório à realidade: Computação e contexto social
A atuação dos bolsistas evidencia a distância entre o ambiente equipado do IFTM e a realidade tecnológica de parte das escolas públicas. No entanto, esse contraste impulsiona práticas pedagógicas inovadoras, que exploram recursos alternativos, como celulares, sucata eletrônica, metáforas visuais e exemplos do cotidiano dos estudantes.
A trajetória do subprojeto de Computação em anos anteriores, com práticas de Scratch, robótica e segurança digital, reforça que o grupo acumula repertório metodológico, articulando tecnologias digitais e problemáticas reais da escola pública. “O que os estudantes vivenciam nas escolas não é uma simulação; é a realidade. Eles observam, planejam, adaptam e ensinam. É a essência da formação docente”, avalia a professora Keila.
Fundamentos do Pibid
Criado pela CAPES, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) promove a formação de professores da educação básica por meio da inserção precoce de licenciandos nas escolas públicas. O programa articula teoria e prática, estimula a criação de metodologias inovadoras, integra ações entre instituições de ensino superior e redes escolares e contribui para valorizar a docência como carreira.
