Mitologia e Tecnologia

I Encontro Ápeiron/Prometeu reuniu mitologia, tecnologia e reflexão crítica sobre futuros possíveis

Realizado entre os dias 20 e 22 de maio, evento promoveu atividades presenciais e online com estudantes, docentes, pesquisadores e convidados de diferentes regiões do país
Publicado em 07/06/2026 11:35 Atualizado em 08/06/2026 10:56
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Foto do 1º Café Filosófico realizado no primeiro dia de evento
Foto do 1º Café Filosófico realizado no primeiro dia de evento
Crédito: Guilherme Brasil (jornalista IFTM)

O Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) realizou, entre os dias 20 e 22 de maio, o I Encontro Ápeiron/Prometeu, com o tema “Argonautas Ciborgues: viagem entre mitologia e tecnologia”. A programação reuniu apresentações culturais, oficinas, cafés filosóficos, palestra, mesa de abertura e Grupos de Trabalho, em atividades realizadas no Campus Uberaba, no Campus Uberaba Parque Tecnológico e em ambiente online síncrono.

Idealizado no âmbito dos grupos de pesquisa Ápeiron: estudos em física e metafísica e Prometeu: Filosofia Política, Tecnologia e Educação, o encontro propôs uma travessia entre narrativas míticas, pensamento filosófico, tecnologia, meio ambiente, trabalho, educação, saúde, arte e inteligência artificial. A proposta foi aproximar temas clássicos e contemporâneos, com atenção especial aos impactos da técnica e aos desafios éticos, sociais e políticos do presente.

Para o coordenador do evento, Luiz Maurício Bentim da Rocha Menezes, professor do IFTM e coordenador dos grupos Ápeiron e Prometeu, a realização cumpriu os objetivos traçados ao longo de cerca de um ano de planejamento. “Conseguimos concluir os nossos objetivos. É um evento que planejamos há um ano e que se tornou real a partir do apoio coletivo. O ensino médio teve uma boa receptividade; a graduação e a pós-graduação tiveram excelentes palestras e cafés filosóficos; e o momento online permitiu trocas com pessoas de outros lugares”, avaliou.

Segundo ele, o formato híbrido e multifacetado dialogou diretamente com o conceito central do encontro. “Esse formato híbrido e multifacetado é do próprio ciborgue, um ser que não aceita dualismos e transgride fronteiras. A ideia foi construir esse Prometeu Ciborgue, que foi o mote do nosso evento”, destacou.

A programação começou no dia 20 de maio, no Campus Uberaba, com a apresentação cultural “Prometeu Fúria”, seguida do Café Filosófico I – Prometeu Ciborgue e de oficinas voltadas aos estudantes do ensino médio. No dia 21 de maio, no Campus Uberaba Parque Tecnológico, o encontro teve apresentação musical, mesa de abertura, o Café Filosófico II – Gaia Ciência e a palestra “Tecnologia, Poder e Desejo: uma leitura filosófica de A República Tecnológica”. O encerramento ocorreu no dia 22 de maio, com Grupos de Trabalho temáticos em formato online e o Café Filosófico III – Velocino de Ouro: considerações das naus.

Para além da programação, o evento também foi marcado pelo encontro entre pesquisadores de diferentes áreas e regiões do país. A proposta recebeu fomento de aproximadamente R$ 18 mil, por meio do edital FAPEMIG 05/2025, voltado à organização de eventos de caráter técnico-científico.

Teatro, mito e tecnologia na abertura do encontro

A abertura do evento teve como ponto de partida a apresentação “Prometeu Fúria”, obra cênico-musical idealizada, dirigida e interpretada por Mário Côrtes, com sonoplastia ao vivo de Edu Caldeira. O espetáculo propôs uma releitura contemporânea do mito de Prometeu, personagem que, na tradição grega, rouba o fogo dos deuses e o entrega à humanidade.

Na montagem apresentada no Campus Uberaba, Prometeu é lançado ao presente e confrontado com os usos feitos pela humanidade do fogo, compreendido como metáfora do conhecimento, da técnica e da tecnologia. Para Mário, a apresentação buscou criar uma experiência sensível, mais do que transmitir uma mensagem fechada.

“A ideia foi propor uma crítica e criar imagens. O teatro tem essa possibilidade de construir texturas imaginativas para a plateia. Mais do que transmitir um conhecimento, é vivenciar um sentimento, viver esse momento. A pergunta é: a partir daqui, como eu me transformo?”, explicou.

O ator também destacou a importância da música, da iluminação e da proximidade com o público na composição da obra. Segundo ele, o espetáculo foi pensado para romper a separação tradicional entre artista e espectador.

“Estamos em um ambiente diferente de um teatro, sem coxia, sem cortina, sem separação entre o artista e a plateia. Então vivemos juntos esse lugar. A iluminação pinta o ambiente como se pintasse um quadro, e a proximidade do ator com o público vem desse lugar do metateatro, do teatro dentro do teatro”, afirmou.

A apresentação cultural abriu caminho para o Café Filosófico I – Prometeu Ciborgue, que discutiu as relações entre tecnologia, humanidade e sociedade. Para Mário, o debate ampliou as possibilidades de leitura do espetáculo e aproximou os estudantes de questões filosóficas mais amplas.

“O Café Filosófico é extremamente importante para a formação de pensamento, para a fruição e para difundir um pouco mais o que o teatro conseguiu provocar. Vi jovens do ensino médio atentos, ouvindo, e isso é muito importante. Participar com o ouvido também é uma forma de participação para a vida”, disse.

Oficinas aproximam estudantes do ensino médio da pesquisa

Um dos eixos centrais do encontro foi a realização de oficinas exclusivas para estudantes do ensino médio. As atividades buscaram aproximar temas acadêmicos de linguagens acessíveis, com uso de mitologia, cultura pop, dramaturgia, super-heróis e narrativas de futuro.

Na oficina “Mitologia do super-herói: dos deuses aos quadrinhos”, os participantes discutiram a construção da figura heroica ao longo da história, em diálogo com personagens da mitologia grega e dos quadrinhos contemporâneos. A atividade foi ministrada por Maria Elizabeth Bueno de Godoy, Renata Carolina Silva Rocha Pinto e Guilherme Brasil.

Para Renata, professora do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), membro do grupo Ápeiron e doutoranda pela Universidade de São Paulo (USP), a proposta com os estudantes foi aproximar conhecimentos mais distantes da realidade cotidiana deles.

“Procurei trazer um conteúdo mais didático, para aproximar um conhecimento que está mais longe deles. Falamos sobre super-heróis, aproximando o herói clássico da literatura e da Antiguidade desse conhecimento mais cotidiano da vida deles, que são os super-heróis da mídia”, explicou.

Renata também participou de atividades voltadas ao público acadêmico, nas quais apresentou reflexões ligadas à sua pesquisa de doutorado sobre ensino de língua inglesa. Para ela, os dois momentos se complementaram.

“Temos que formar os meninos para a vida real, e a vida real envolve tanto o conhecimento escolar quanto o que eles vão precisar para a vida profissional. Eles precisam saber estudar, pesquisar e buscar coisas. A escola existe para que descubram coisas que, sem ela, talvez não descobrissem”, afirmou.

A pesquisadora Maria Elizabeth Bueno de Godoy destacou que a oficina buscou mostrar que os heróis mitológicos continuam presentes nas experiências humanas contemporâneas.

“A ideia foi mostrar que essa questão do herói e do mitológico é uma maneira de representar a superação de traumas humanos. Trazer esses antigos gigantescos para dentro da nossa realidade e fazer com que a molecada perceba que tem um pouco de Perseu, Hércules, Medeia e Medusa. Nós somos monstros, heróis, divinos, partidos, sombra e luz”, afirmou.

A oficina também teve um momento prático, no qual os estudantes foram convidados a criar seus próprios heróis. Bruno Alexandre Silva Soares*, estudante do curso Técnico em Química Integrado ao Ensino Médio do Campus Uberaba, criou o personagem Shadow Music, um herói ligado ao Reino das Sombras.

“Ele seria o Senhor das Sombras. Tem aparência humana, gosta muito de canto e dança, e mistura isso aos seus poderes. Ele cria sombras dançantes e cantantes para defender o reino dele. O objetivo principal é manter o equilíbrio entre o Reino das Sombras e o mundo real”, contou.

Bruno explicou que o personagem teria aparência humana, usaria terno, gravata, smoking e cartola, além de gostar de jazz, canto, dança e sapateado. Para ele, a oficina permitiu refletir sobre a complexidade dos heróis.

“Gostei muito de associar os heróis da mitologia aos heróis de hoje e de olhar para essa dualidade entre o lado sombrio e o lado positivo. Ser herói não é sempre fazer o bem. Às vezes os heróis, como humanos, também erram e também têm um lado negativo”, disse.

Apocalipse zumbi, ecologia e futuros possíveis

Outra atividade voltada aos estudantes foi a oficina “Apocalipse Zumbi: ecologia para o fim do mundo”, conduzida por Gabriel Medeiros Chati e Luiz Maurício Bentim da Rocha Menezes. A proposta usou a metáfora do apocalipse zumbi para discutir crise ecológica, capitalismo, tecnologia, trabalho e possibilidades de futuro.

Gabriel Medeiros Chati, professor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e atualmente em atuação no Ministério da Cultura, afirmou que a atividade teve uma adesão expressiva e surpreendeu pela participação dos estudantes.

“Tivemos uma grata surpresa. A adesão foi grande, com um número expressivo de jovens, talvez aproximados pela temática dos zumbis, mas que tiveram a oportunidade de discutir nossas possibilidades de futuro e a sociedade em que queremos viver”, relatou.

Segundo Gabriel, a oficina partiu da obra de Peter Frase para pensar cenários possíveis diante das encruzilhadas do presente. Ao final, os estudantes foram convidados a desenhar e representar futuros desejados.

“Eles estavam não só muito interessados, mas também propositivos. Propusemos que desenhassem uma representação dos futuros que querem para si e para todos, e os resultados foram muito bonitos. A curiosidade dessa juventude me surpreendeu de maneira muito significativa”, afirmou.

Luiz Maurício também destacou a potência da atividade como porta de entrada para o interesse pela pesquisa. Para ele, a oficina demonstrou que os estudantes já possuem repertório e consciência crítica, mas precisam de oportunidades para aplicar esse conhecimento.

“Os alunos precisam entender que existe uma verticalização no IF e que eles podem seguir carreira acadêmica e de pesquisa dentro da própria instituição. A oficina teve um resultado além do esperado. Teve muita procura e interesse em debater futuros possíveis, meio ambiente, capitalismo e Big Techs”, afirmou.

De acordo com o coordenador, os estudantes permaneceram envolvidos mesmo após o tempo previsto para a atividade. “No final, eles desenvolveram seus próprios mundos em cartolinas. Ficaram uma hora além do tempo previsto, porque queriam terminar e apresentar. Isso mostra o potencial e o grau de conscientização que eles têm”, completou.

Para Gabriel, a experiência também mostrou a importância de manter e ampliar, nas próximas edições, atividades voltadas ao ensino médio. “Conseguimos propor algo para essa juventude. Para uma próxima edição, talvez seja importante não só manter, mas ampliar essa participação. Eles mesmos, especialmente as meninas, fizeram sugestões para próximas atividades e próximos eventos”, disse.

Gaia Ciência e o protagonismo da Terra

O segundo dia do encontro teve como um dos momentos centrais o Café Filosófico II – Gaia Ciência: entre dons divinos e técnicas humanas para um presente possível. A atividade retomou narrativas míticas ligadas à Terra, à técnica, ao conhecimento e à esperança, com participação de Danieli Aparecida Duarte, Luiz Maurício Bentim da Rocha Menezes, Maria Elizabeth Bueno de Godoy, Ricardo Spagnuolo Martins e mediação de Roberta Daiane Ribeiro.

Para Maria Elizabeth, a discussão sobre Gaia propôs uma retomada dos territórios da Terra e do protagonismo feminino, sem oposição entre feminino e masculino. “Com o Gaia Ciência, é retomar os territórios de Gaia. Esse movimento feito pelo feminino não exclui o masculino, porque Gaia é mãe do feminino e do masculino. Mas esse protagonismo e esse silenciamento precisam ser falados. A gente está silenciada há muito tempo. Acabou. Chega”, afirmou.

A pesquisadora associou o debate às urgências ambientais e à necessidade de reposicionar a tecnologia a serviço da vida. “A gente precisa ter uma voz, e essa voz está vindo da Terra: os vulcões se ativando, Gaia mexendo, movimentando os mares, secas. Ou a gente acorda agora para Gaia, para Pacha Mama, ou a gente vai sofrer. A tecnologia é dela; nós temos que trabalhar por ela. Afinal, aqui é a nossa casa”, disse.

Maria Elizabeth também relacionou a discussão com os estudantes do ensino médio à formação de novas sensibilidades. Para ela, os jovens representam a possibilidade de um futuro que já precisa ser construído no presente. “Para os meninos, porque eles são a esperança desse futuro que é agora. Não tem amanhã, é hoje. Eles precisam dessa esperança, que é esse fio de prata tênue, quase singelo, mas de uma resistência enorme. Eles são o futuro que é o hoje de Gaia”, declarou.

Inteligência artificial, poder e disputa geopolítica

No período da tarde do dia 21 de maio, o encontro recebeu a palestra “Tecnologia, Poder e Desejo: uma leitura filosófica de A República Tecnológica”, ministrada por César Augusto Mathias de Alencar, professor da Universidade Federal do Amapá (Unifap). A atividade discutiu a obra de Alex Karp e Nicholas Zamiska, com foco nas relações entre inteligência artificial, poder, guerra, Estado e interesses privados.

César explicou que sua proposta foi fazer uma leitura filosófica do livro e analisar os pressupostos usados pelos autores para justificar ações políticas ligadas ao uso da inteligência artificial.

“Tentei fazer uma leitura filosófica de A República Tecnológica, que trata da justificativa do uso de Inteligência Artificial e de como ela pode favorecer softwares para política de guerra. A ideia foi mostrar os pressupostos do livro e como eles utilizam uma linguagem filosófica para justificar uma intervenção privada no Estado”, afirmou.

Segundo o pesquisador, embora o debate parta do contexto norte-americano, ele tem impacto direto sobre países do Sul Global, incluindo o Brasil.

“Isso nos posiciona nesse limbo geopolítico que é o Brasil, para sabermos como nos colocar em relação ao uso da tecnologia com implicações militares”, analisou.

César afirmou que a obra pode ser lida como uma espécie de manifesto político dos engenheiros do Vale do Silício. Para ele, compreender esse pensamento é necessário para enfrentar criticamente suas consequências.

“Encarei o livro como uma espécie de manifesto retórico para uma certa ação política dos engenheiros do Vale do Silício. Eles parecem justificar o que a empresa deles promove e convocar outras empresas a fazerem o mesmo. Isso me parece profundamente problemático, tendo em vista a política expansionista e imperialista dos Estados Unidos”, avaliou.

O professor também defendeu que a academia é um espaço fundamental para que esses pensamentos circulem de forma crítica.

“Tem sido escassos os momentos em que esses pensamentos são debatidos. A academia é o espaço onde eles devem circular de maneira crítica e ser colocados em questão. O que fizemos aqui abre a possibilidade de dialogar com um pensamento adverso e problemático, para que possamos nos posicionar”, afirmou.

Pesquisa, prática e formação crítica

Ao longo dos três dias, o encontro também discutiu a relação entre pesquisa acadêmica, prática pedagógica e intervenção na realidade. Para Renata Carolina Silva Rocha Pinto, essa relação foi um dos pontos de conexão entre as atividades com estudantes e as discussões voltadas à graduação e à pós-graduação.

Na fala direcionada ao público acadêmico, Renata apresentou reflexões de sua pesquisa sobre ensino de língua inglesa com estudantes do ensino médio. Segundo ela, a pesquisa educacional precisa superar abordagens meramente descritivas e buscar conexão com a prática.

“Trouxe um pouco do que faço no doutorado, que é a pesquisa com alunos do ensino médio no ensino de língua inglesa. Falei sobre como conduzo essa pesquisa, a concepção de linguagem e como trabalhamos o ensino de línguas de maneira contextualizada”, explicou.

Para a pesquisadora, o princípio também vale para a escola. “Não se pode trazer a gramática pela gramática, mas um ensino que se aproxime da vida. Se você aproxima a jornada de Perseu ou Odisseu da realidade do estudante, fica mais fácil para ele assimilar”, afirmou.

Essa preocupação com a aproximação entre conhecimento, vida e intervenção também apareceu na avaliação de Maria Elizabeth. Para ela, o encontro permitiu tensionar a distância entre o discurso acadêmico e as urgências concretas do presente.

“O que falei para os acadêmicos foi: caiam na real, todo mundo aqui é humano. Abaixem essa bola. Vamos falar do que interessa”, afirmou.

Grupos de Trabalho ampliam a discussão

No terceiro dia, realizado em formato online síncrono, o encontro promoveu Grupos de Trabalho temáticos. As atividades acolheram pesquisas e relatos sobre filosofia ciborgue, mito de Prometeu, tecnologia, trabalho, precarização, saúde, representações culturais, inteligência artificial, educação, políticas públicas, Gaia Ciência, mitologias e protagonismo feminino.

Para Luiz Maurício, os GTs reforçaram a dimensão nacional e interdisciplinar do evento.

“A diversidade de trabalhos nos GTs foi muito rica e frutífera. Podemos consolidar esse evento como o primeiro de muitos, mas precisamos de um apoio mais direto da instituição agora que ele se consolidou”, afirmou.

O coordenador também destacou os produtos previstos a partir do encontro. Além do caderno de resumos já publicado, a organização prevê a produção de um livro com os trabalhos apresentados nos GTs, com abertura a partir da palestra de César Augusto Mathias de Alencar.

“Já temos o caderno de resumos publicado e agora teremos o livro, resultado dos trabalhos apresentados nos GTs. Teremos a publicação da palestra do César abrindo o livro. Além disso, a movimentação do Instagram, o blog e o trabalho interno de pesquisas continuam”, informou.

Encontro projeta novas edições e fortalece os grupos de pesquisa

Ao avaliar o conjunto da programação, Luiz Maurício defendeu que o I Encontro Ápeiron/Prometeu demonstrou a capacidade dos grupos de pesquisa de articular ensino, pesquisa, extensão, cultura e formação crítica. Para ele, o evento também fortaleceu a verticalização do ensino no IFTM, ao aproximar estudantes do ensino médio, graduação, pós-graduação, pesquisadores independentes e docentes de diferentes instituições.

“Nossa pós-graduação em Educação Profissional e Tecnológica preza por essa aproximação. Os alunos precisam entender que podem seguir carreira acadêmica e de pesquisa dentro da própria instituição”, afirmou.

Gabriel Medeiros Chati também avaliou que o encontro conseguiu dialogar com públicos diversos. “Foi um barato dar conta de públicos diferentes, em idades diferentes, mas com uma temática que unifica. É algo urgente para todos, tanto para quem já está na academia quanto para a juventude”, disse.

Renata Carolina Silva Rocha Pinto destacou o impacto acadêmico e pessoal da participação. “Foi um ganho em diversos sentidos: estar em um local e estado diferentes, assistir às palestras, apresentar, dar oficina com outros colegas. Só agradeço a oportunidade. Foi muito rico”, afirmou.

Para Roberta Daiane Ribeiro, o sentimento final é de continuidade. “Novos projetos estão surgindo, mas eu já estou com muita saudade de tudo que foi feito e vivenciado nesses três dias do evento”, concluiu.

Organização, fomento e bastidores do evento

A realização do I Encontro Ápeiron/Prometeu envolveu um processo de organização iniciado cerca de um ano antes. Segundo Roberta Daiane Ribeiro, integrante da coordenação do evento, o trabalho começou pela compreensão da chamada da FAPEMIG, que financiou parte das ações.

“Foi um desafio entender e estudar a fundo a chamada da FAPEMIG. Precisávamos compreender quais eram os critérios e as exigências para que a proposta fosse aprovada dentro dos objetivos do edital”, explicou.

Após a aprovação, a comissão passou a lidar com a administração dos recursos e com a execução das atividades. “Passamos da etapa de planejar para a etapa de administrar de maneira correta e responsável o fomento conquistado. Existe um rito burocrático e logístico invisível ao público, mas essencial para a realização do evento”, afirmou.

Roberta destacou que a comissão precisou conciliar prazos, agendas, atividades, espaços e a rotina dos servidores envolvidos. Além disso, o evento exigiu articulação entre diferentes linguagens e públicos.

“Precisávamos conciliar temáticas, atividades, propostas, linguagens, prazos do edital, agenda dos convidados e a própria rotina dos membros do grupo, que são servidores do IFTM. Também houve o desafio de traduzir conceitos filosóficos para a realidade do nosso público-alvo, de maneira sensível e atenta”, disse.

A integrante da comissão também ressaltou que o trabalho não termina com o encerramento das atividades presenciais e online. A fase pós-evento inclui certificados, sistematização dos textos submetidos, disponibilização dos anais, revisão técnica, diagramação, lançamento de e-book, organização de vídeo e prestação de contas. Para Roberta, a experiência teve significado especial por sua dupla condição de servidora do IFTM e estudante do doutorado no PPGET.

“Eu estive em uma posição que me permitiu conciliar dois olhares muito diferentes: o da servidora, que planeja, executa, participa de reuniões e realiza cadastros; e o da estudante, que observa, absorve, debate e entende aquilo que está sendo proposto. Foi uma experiência completa”, afirmou.

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