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Desafios ainda enfrentados pelas mulheres marcaram o mês de março no IFTM

Instituição realizou encontros virtuais com discussões relevantes e urgentes para toda a sociedade

  • Por IFTM Reitoria
  • Publicado em 31/03/2021 às 12:00
  • Última modificação 31/03/2021 às 19:29
Dia Internacional das Mulheres
Dia Internacional das Mulheres
Crédito: Divulgação

“Já que identidades precisam ser narradas para serem reconhecidas”, como bem colocou a presidente do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas do Instituto Federal do Triangulo Mineiro (IFTM) Campus Uberlândia, Talita Lucas Belizário de Oliveira, a instituição promoveu, nos dias 8, 9 e 10 de março, encontros virtuais abertos e gratuitos para, além de prestar homenagem às mulheres, ouvir e amplificar suas vozes e histórias de vida e de luta diárias e diversas.

Apesar de importantes avanços conquistados pelo movimento feminista em prol da igualdade de gêneros e da participação das mulheres na sociedade, inúmeras e preocupantes ainda são as dificuldades e desafios enfrentados por elas no mundo todo, especialmente pelas mulheres negras, que ocupam a última posição na pirâmide social, atrás, inclusive, de mulheres brancas, e cujas lutas pouco ou quase nada foram contempladas no “feminismo tradicional”.

“É uma honra para nós do IFTM termos uma mulher no cargo máximo da instituição, como reitora, e também termos vice-reitora, pró-reitora, diretora-geral e coordenadora-geral”, destacou Talita durante mediação da mesa redonda Gestão feminina: como conciliar os diversos papéis de mulher em tempos de pandemia? que ocorreu no dia 8 de março com transmissão ao vivo pelo canal da Pró-reitoria de Extensão (PROEXT) do IFTM no YouTube.

O debate contou com participação de diversas servidoras do IFTM: Deborah Santesso Bonnas, reitora; Marlene Jerônimo, vice-reitora; Inamara Leal, pró-reitora de Desenvolvimento Institucional; Lara Kuhn, diretora-geral do IFTM Campus Uberlândia Centro; e Daniela Orbolato, coordenadora geral de Ensino, Pesquisa e Extensão do IFTM Campus Avançado Uberaba Parque Tecnológico.

As debatedoras relataram que o momento de pandemia vivenciado atualmente trouxe muitas reflexões, especialmente para mulheres que ocupam cargos de gestão. A reitora Deborah Bonnas lembrou que, historicamente, as mulheres têm assumido tarefas do lar que muitas vezes se sobrepõem às tarefas profissionais, o que exige muito delas, em especial quando ocupam cargos de gestão. “Fico feliz que a gente possa aqui ter hoje esse espaço de fala das mulheres que estão na gestão da nossa instituição. Que possa ser um espelho, um incentivo para que tenhamos cada vez mais mulheres assumindo esse tipo de cargo que ainda são ocupados, em sua maioria, por homens”, declarou a reitora.

O destaque ganha força quando dados de pesquisa realizada no 1º semestre de 2020 no Brasil revelam que as mulheres ocupam hoje 34% dos cargos de liderança sênior (diretoria executiva) e, em se tratando de mulheres negras, esse número despenca para 8%. Corroborando esses dados, levantamento feito por Talita sobre a temática na Rede Federal de Educação Profissonal e Tecnológica, dos quais o IFTM faz parte, mostrou que dos 41 servidores ocupantes de cargos de reitores nessas instituições, somente 12 são mulheres, sendo apenas 2 mulheres negras.

“É nesse contexto que o Dia Internacional das Mulheres é uma data não só para homenagens, mas também para problematização das dificuldades de acesso das mulheres aos espaços de liderança. Os dados das pesquisas nos mostram também que nós, mulheres, não somos um bloco único, temos pontos de partida diferentes, e é por isso que o feminismo precisa de um recorte racial e de classe”, apontou Talita.

Em 9 de março, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) e Núcleo de Estudos de Gênero do IFTM Campus Patrocínio, em parceria com o Coletivo Okayoufu, realizou a roda de conversa Filhas da Luta. Dandara Torantzin, vereadora em Uberlândia, e Neiva Flávia Oliveira, professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), foram as convidadas do evento, que teve foco nas discussões sobre a participação das mulheres na política.

As debatedoras contaram a história de Ismene Mendes, que hoje dá nome à Câmara Municipal de Patrocínio. Advogada nascida em Patrocínio, Ismene foi vereadora na cidade e uma defensora de direitos trabalhistas e sociais, causa pela qual sofreu perseguições, foi torturada, estuprada e assassinada em 1985, durante o período da ditadura militar. Neiva reforçou que, ao relembrar a história de luta de uma mulher injustiçada, primeiro se rompe o ciclo do algoz e, depois, se repara essa injustiça. “Quando há uma memória, você não deixa que isso se repita. A memória é fundamental para que a gente evolua como sociedade", completou a professora.

Em 10 de março, na segunda edição do evento Semana dElas, promovido pelo Grupo de Estudo e Pesquisa “Quilombo Neabi” (GEPQUIN) do IFTM Campus Avançado Uberaba Parque Tecnológico e pelo NEABI do IFTM Campus Uberlândia, foram lembradas as conquistas femininas ao longo da história e trazidos à tona os graves problemas de gênero que persistem em todo o mundo, além de um momento de saudações e boas-vindas a estudantes do IFTM negros cotistas e não cotistas.

Por compreender que o discurso universal feminista é excludente, a discussão de gênero fez um recorte de classe e raça, levando-se em conta as interseccionalidades que permeiam a violência contra a mulher. “O que a gente percebe é essa diversidade de mulheres que nós temos. Todas passam pela pressão do patriarcado, do machismo, mas há lutas muito específicas”, concluiu a professora Márcia Moreira Custódio, mediadora de um dos encontros.

O debate Gestão Feminina, a live Filhas da Luta e a Semana dElas, dividida em parte 1 e parte 2, podem ser assistidas na íntegra pelos canais do IFTM no YouTube.



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