Evento

Projeto de Extensão do IFTM Campus Patos de Minas apresenta número de dança no V Conerer

Com o projeto “Dança, Identidade: Neabi a partir das Artes Integradas”, o IFTM Campus Patos de Minas levou ao V Conerer um número de dança que reafirma identidade, memória e força ancestral
Publicado em 28/11/2025 10:04 Atualizado em 28/11/2025 10:06
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Fotografia colorida da equipe de execução da atividade cultural “Dança, Identidade: Neabi a partir das Artes Integradas” durante o V Conerer
Fotografia colorida da equipe de execução da atividade cultural “Dança, Identidade: Neabi a partir das Artes Integradas” durante o V Conerer
Crédito: Munís Pedro Alves e Ana Rita Silva - IFTM Campus Patos de Minas

A equipe executora do projeto de extensão “Dança, Identidade: Neabi a partir das Artes Integradas”, do IFTM Campus Patos de Minas, apresentou ao público, nos dias 24 e 25 de novembro, durante as atividades presenciais do V Conerer, um número de dança como culminância das ações vinculadas a duas submissões do projeto realizadas pela professora Márcia Xavier: o Edital nº 9/2024/PROEXT–Reitoria – Programa de Apoio a Projetos de Extensão do IFTM – Projetos de Arte e Cultura e o Edital nº 01/2025/Coordenação de Extensão do Campus Patos de Minas.

Entre as ações previstas do projeto estavam duas oficinas voltadas à composição cênica da apresentação: uma de máscaras africanas e outra de produção de telas, cujos resultados integraram o cenário da performance.

A oficina de máscaras ocorreu durante o Sábado da Família, no IFTM Campus Patos de Minas, reunindo estudantes, pais e crianças em uma atividade que destacou a importância das máscaras africanas como símbolos presentes em rituais, celebrações e narrativas que expressam ancestralidade, identidade e espiritualidade.

A oficina de telas, também realizada no campus e utilizando a técnica de colagens, envolveu estudantes em dois momentos de atividades. Ambas as oficinas foram coordenadas pela professora de Artes Cristina Matos e contribuíram diretamente para a construção estética e simbólica da apresentação.

Pelo Edital nº 01/2025/Coordenação de Extensão do Campus Patos de Minas, foram selecionadas as bolsistas Gabriele Teles de Menezes, Isadora Marra Gonçalves Oliveira e Larissa Alves Leal, além do bolsista Enzo de Morais Barbosa, que, desde maio, sob coordenação das professoras Márcia Xavier e Cristina Matos, vêm desenvolvendo pesquisas de resgate histórico-geográfico das danças afro-brasileiras, bem como a elaboração das coreografias e a seleção das músicas.

Para compor o número apresentado no V Conerer, integraram-se mais recentemente ao grupo os estudantes João Francisco Ribeiro e Eduardo Martins Rocha; as estudantes Gabriela Carvalho Novais, Ana Clara Ferreira, Izabella Araújo e Alycia Marques; a servidora do IFTM Campus Patos de Minas Ivone Aparecida Bontempo; o convidado externo Edson Martins; e também o estudante Diego Machado, responsável pelo apoio de iluminação.

Compreendendo as expressões culturais como formas de resistência, pertencimento e empoderamento, a proposta buscou valorizar a herança africana na formação da identidade brasileira. A pesquisa realizada evidenciou os principais estilos de dança e de música influenciados pela presença africana no Brasil, desde a chegada forçada dos povos africanos nos navios negreiros até as manifestações contemporâneas que reafirmam essa herança diversa e transformadora. A dança foi estudada, assim, como manifestação estética e sociopolítica capaz de expressar ancestralidade, religiosidade e transformação social.

A construção do número de dança foi guiada por uma sequência de elementos musicais, poéticos e corporais que, juntos, compuseram uma narrativa histórica e ancestral. O percurso iniciou-se com “Navio Negreiro”, de Castro Alves, marco da literatura abolicionista que denuncia a violência da escravidão. A declamação de Paulo Autran, aliada à versão musical de Caetano Veloso e Maria Bethânia, intensificou a dramaticidade da obra, transformando dor em memória. Em seguida, “Zumbi”, de Ellen Oléria trouxe um canto de resistência, celebrando Zumbi dos Palmares como símbolo de liberdade e força ancestral.

A apresentação avançou com “Principia”, de Emicida, música que reafirma pertencimento e consciência coletiva, reforçando que a herança cultural africana permanece viva nas expressões artísticas. Na sequência, a capoeira, em homenagem a Mestre Bimba e Mestre Pastinha, destacou essa arte trazida pelos africanos escravizados, que surgiu como ato de resistência; os dois mestres foram fundamentais para sua sistematização e valorização. Já “Identidade”, de Jorge Aragão, inspirada no samba — expressão nascida das comunidades negras — exaltou orgulho, raiz e reconhecimento, preparando o terreno para “Samba-Axé: Recôncavo da Liberdade”, que celebra o axé como fusão das tradições africanas com influências do Recôncavo Baiano, reafirmando espiritualidade e resistência.

O percurso seguiu com o funk “Baile de Favela”, expressão contemporânea das periferias que transforma vivências em arte e afirma a identidade das comunidades marginalizadas. Em seguida, o poema “Vozes-Mulheres”, de Conceição Evaristo, ecoou a ancestralidade feminina, unindo gerações de mulheres negras em luta e resistência, especialmente no verso: “A voz de minha filha recolhe todas as nossas vozes e as projeta no amanhã.” Por fim, “Povoada”, de Sued Nunes, encerrou o trajeto estético e histórico celebrando unidade, pertencimento e força ancestral, conduzindo o público a um desfecho de esperança e comunhão.

O número de dança que encerra o projeto é, portanto, uma celebração da memória e da resistência afro-brasileira. Cada gesto, cada som e cada verso representam séculos de luta e de resistência, reafirmando a força das artes como instrumento de transformação social, reconhecimento e identidade.

A professora Márcia, coordenadora do projeto, agradece à Pró-Reitoria de Extensão do IFTM e à Coordenação de Extensão do IFTM Campus Patos de Minas pelo apoio e pela viabilização desta atividade. Segundo ela:

“Ter a oportunidade de apresentar a culminância do projeto em dois momentos do V Conerer, espaço acadêmico de resistência, de valorização da cultura negra e de celebração de nossa ancestralidade, fortaleceu e deu grande visibilidade à ação extensionista, e a apresentação evidenciou o trabalho desenvolvido ao longo de meses por uma equipe de estudantes muito jovens, que trouxe ao público um número de dança potente, representativo e capaz de emocionar muitos dos presentes.”

 

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