Ciência

Pesquisadora Tatiana Sampaio é homenageada na II Mostra Mulheres Extraordinárias no IFTM Campus Patrocínio

Projeto de extensão valoriza trajetórias femininas e promove diálogo entre estudantes e mulheres que se destacam em diferentes áreas do conhecimento
Publicado em 12/03/2026 16:35 Atualizado em 13/03/2026 07:33
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Bianca Gonçalves e Tatiana Sampaio em entrevista coletiva no Campus Patrocínio do IFTM
Bianca Gonçalves e Tatiana Sampaio em entrevista coletiva no Campus Patrocínio do IFTM
Crédito: Ana Clara Santo/Reitoria IFTM

O IFTM Campus Patrocínio realizou, nesta quinta-feira (12), a 2ª edição da Mostra Mulheres Extraordinárias, iniciativa que integra um projeto de extensão voltado à valorização de trajetórias femininas e ao estímulo ao protagonismo das mulheres em diferentes áreas da sociedade. Um dos destaques da programação foi a participação da bióloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Sampaio, pesquisadora reconhecida por estudos sobre a polilaminina, substância investigada no tratamento de lesões na medula espinhal.

A atividade é coordenada pela professora Bianca Gonçalves e desenvolvida no âmbito do Núcleo de Estudos de Diversidade, Sexualidade e Gênero (Nedseg) do campus. O projeto mobiliza estudantes na pesquisa de trajetórias femininas que marcaram diferentes áreas do conhecimento e da vida pública.

“Todo ano realizamos essa mostra a partir da leitura de um livro chamado ‘Mulheres Extraordinárias’. Os estudantes selecionam em torno de 20 mulheres, temos categorias como ‘uma pessoa do IFTM’ e ‘uma pessoa da região’. Depois há uma votação interna e as dez mais votadas ganham quadros, vídeos e os professores desenvolvem trabalhos em sala de aula para contar a trajetória dessas mulheres”, explica Bianca.

Entre as escolhidas nesta edição está a pesquisadora Tatiana Sampaio, que participou do evento com uma palestra destinada a estudantes e ao público inscrito.

Ciência, universidade e formação de novos pesquisadores

Antes da palestra, a professora Tatiana, ao lado da coordenadora do evento, concedeu uma coletiva de imprensa para veículos da região. Na ocasião, Tatiana destacou a importância do contato entre instituições de ensino e pesquisa para a formação de novos cientistas. O IFTM é uma instituição que trabalha muito com iniciação científica, e a pesquisadora ressaltou que, em seu laboratório na UFRJ, muitos pesquisadores iniciaram a trajetória ainda na graduação ou em atividades de iniciação científica.

“Eu sou professora da UFRJ e a gente faz muita iniciação científica lá. No meu laboratório, todos os alunos de pós-graduação vieram da iniciação científica. Essa interação do laboratório e da pesquisa com a universidade, tanto no nível de graduação quanto no ensino médio, é a nossa realidade. Sem isso, a gente não anda”, destacou a professora.

Durante a entrevista, Tatiana também comentou sobre a repercussão pública de sua pesquisa e sobre o interesse crescente da população pela ciência. Ela afirma que o contato com estudantes e com o público tem sido um dos aspectos mais marcantes da divulgação científica relacionada ao estudo.

“Eu fico muito emocionada e surpresa. A gente sempre ouve que brasileiro não gosta de ciência, mas eu não vejo isso. O brasileiro ama ciência. A alegria que vejo nas pessoas que vêm falar comigo é de interesse real. Sobre a polilaminina, é um trabalho em desenvolvimento, já está mais para dar certo do que para não dar. Mas, mesmo que não desse, só o fato de conseguirmos pautar o interesse pela pesquisa e a percepção de que a universidade é importante já é maravilhoso.”

Mulheres na ciência e inspiração para novas gerações

Outro tema abordado durante a coletiva foi o papel das mulheres na produção científica e na construção de trajetórias acadêmicas. Para Bianca Gonçalves, iniciativas como a Mostra Mulheres Extraordinárias ajudam a tornar visíveis histórias que muitas vezes não aparecem nos registros tradicionais.

“Temos uma função social. É importante trazer trajetórias de mulheres que são invisibilizadas. Ano passado contamos a história da Ismene Mendes, ex-vereadora de Patrocínio, e muitos alunos que moravam na rua com o nome dela não conheciam sua história. Reverter essa invisibilidade histórica é nosso papel enquanto instituição de ensino público.”

Tatiana Sampaio também comentou sobre a importância de incentivar meninas e jovens mulheres a considerar a carreira científica. Segundo ela, a pesquisa pode ser um caminho estimulante para quem se interessa pela produção de conhecimento.

“Diria que as portas estão abertas. É uma carreira animada, sem rotina e com muita liberdade. O desafio é conciliar a vida profissional com a familiar. A carreira de pesquisa demanda muita dedicação de tempo.”

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