LIBRAS

Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais lembra desafios para a educação

Lei que institui a Libras como língua oficial faz 20 anos, mas a língua ainda não é conhecida por grande parte da população brasileira
Publicado em 20/04/2022 15:00 Atualizado em 20/04/2022 15:44
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Imagem retangular com fundo branco, detalhe de Tradutora Intérprete de Libras vestindo camiseta preta com logotipo do IFTM bordado, fazendo sinal em Libras com as mãos
Crédito: Lucas Elias Fernandes

No dia 24 de abril de 2022, a Lei nº. 10.436/2002 completa 20 anos desde sua promulgação. Ela oficializou a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua oficial da comunidade surda brasileira, definindo-a como uma forma de comunicação e expressão de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria.

As línguas de sinais são constituídas de forma natural, surgindo a partir do convívio de pessoas surdas. A Libras é uma língua com estrutura própria, composta por um alfabeto manual, possuindo a mesma complexidade das línguas orais, pois qualquer conceito abstrato ou concreto pode ser repassado. É organizada, estruturada gramaticalmente, possui regras e não se trata apenas de um conjunto de gestos. Cada país possui a sua própria Língua de Sinais e, como na língua portuguesa, há regionalismos, diferenças de acordo com o lugar onde ela é utilizada.

De acordo com a lei, a Libras se equipara ao inglês, espanhol ou francês.

Língua como ferramenta de inclusão

Após duas décadas de oficialização da Libras, nota-se que ainda há uma lacuna entre a prática e a teoria, visto haver poucas pessoas fluentes no país, isso reflete na formação social e educacional da pessoa surda.

Cerca de 5% da população brasileira é surda. São 10 milhões de pessoas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Parte desse grupo utiliza a Libras como meio de comunicação principal e ainda encontra dificuldades pela falta de acessibilidade na comunicação em lugares como bancos, postos de saúde, hospitais e instituições de ensino.

A Libras é considerada de suma importância para a comunidade surda, tendo como função eliminar as barreiras do silêncio e isolamento entre ambas as pessoas, de maneira que aos poucos aconteça a inclusão social.

Estudantes surdos

O IFTM possui estudantes surdos regularmente matriculados em cursos de diferentes modalidades: técnicos integrados, graduação, formação inicial e continuada, entre outros. Há um Tradutor Intérprete de Libras (TIL) em cada campus para atuar em sala de aula junto a esses estudantes.

Estudantes surdos possuem diferentes identidades que trazem informações importantes para as relações e a vida escolar dessas pessoas. No IFTM, há surdos que, como as pessoas ouvintes, têm formas de aprendizado diferentes. Há aqueles que são usuários fluentes da Libras e somente por ela se comunicam. Há também surdos que, além da Libras, fazem a leitura labial, tendo-a como apoio para seu aprendizado. E, neste mesmo grupo, há ainda os que estão em um processo inicial de aprendizado da Libras. Todos estes estudantes têm a língua portuguesa como segunda língua.

Os estudantes surdos participam de diferentes projetos ofertados pela instituição. Um exemplo é um bolsista no Programa de Educação Tutorial (PET) Agronomia. O grupo do programa sentiu a necessidade de aprender a Libras para que pudessem se relacionar com o colega surdo de maneira mais independente, sem a necessidade da presença do Tradutor Intérprete de Libras. Foi proposta, então, uma oficina de Libras, com início no mês de abril de 2022.

A Coordenação de Ações Inclusivas do IFTM vem desenvolvendo diferentes atividades para que este e outros estudantes possam usufruir de seus plenos direitos em todos os campi do IFTM. Uma das ações é viabilizar a contratação de mais profissionais Tradutores Intérpretes de Libras, uma vez que ainda há um déficit deste profissional na instituição. Além de atuar em sala de aula, os TILs atuam ainda na tradução e interpretação dos eventos e atividades oferecidas pelos campi.

Com contribuição de Mayara Rocha, tradutora intérprete de Libras do IFTM; Patrícia Campos, pedagoga do IFTM; e Rutiléia Portes, coordenadora de ações inclusivas do IFTM.

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