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Pandemia abre espaço também para discussões e novas ações sobre Meio Ambiente

Em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, tema é ainda mais relevante diante da realidade de isolamento social

  • Por IFTM Reitoria
  • Publicado em 05/06/2020 às 09:00
  • Última modificação 04/06/2020 às 18:35
Área desmatada na floresta amazônica aumenta durante pandemia de Covid-19
Área desmatada na floresta amazônica aumenta durante pandemia de Covid-19
Crédito: Daniel Beltrá - Greenpeace.org

Na data em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, é comum que se discuta e que se façam diversas reflexões sobre questões ambientais no país e no mundo: Como anda a emissão de poluentes? E os desmatamentos? Como fica a preservação do meio ambiente e de populações como as indígenas? Ainda, em tempos de pandemia da Covid-19, perguntas são acrescentadas: quais são os reflexos dessa realidade que estamos vivendo para o meio ambiente? Como isso está sendo visto pela sociedade? E no pós-pandemia, o que esperar para nossa natureza?

Os questionamentos são muitos e talvez não se tenha respostas para todos eles ainda. A pandemia tem mostrado que a reclusão do homem moderno de suas atividades cotidianas tem feito um grande bem para o meio ambiente. Uma menor quantidade de pessoas circulando nas cidades, principalmente nos grandes centros urbanos, reduz drasticamente a emissão de poluentes, derivada de um menor consumo de combustíveis fósseis.

Somando-se a isso, temos uma produção industrial reduzida no mundo inteiro e, portanto, também uma menor emissão de poluentes atmosféricos. O ar tem apresentado níveis de qualidade ambiental muito melhores do que antes da pandemia. Países como a China, tradicionalmente grande emissor de gases poluentes, têm apresentado reduções de tais poluentes de forma assustadora. Áreas do globo, como o Himalaia, por exemplo, podem ser novamente visualizadas em regiões da Índia e isso não era possível há mais de 30 anos, conforme mostrou foto que viralizou na internet meses atrás.

No Brasil, infelizmente, alguns dados são muito preocupantes e mais desanimadores se comparados ao restante do mundo. Nas áreas urbanas é nítido que houve uma redução da emissão de poluentes atmosféricos pelos motivos apresentados anteriormente, como menor circulação de pessoas e de veículos e menor atividade industrial. Porém, dados do Observatório do Clima apontam para um crescimento de 10% a 20% das emissões de gases do efeito estufa no país no ano de 2020. Tal fato tem relação direta com o aumento da taxa de desmatamento na Amazônia, principalmente nesse período de pandemia.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o desmatamento na referida região, só no mês de maio deste ano, foi 60% maior do que no mesmo período do ano passado. Diversas situações contribuem para este cenário, com destaque para publicação de decretos que “abrem maiores brechas” para desmatamentos, alterações na gestão de Institutos Ambientais, condições precárias de trabalho de servidores, por exemplo, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), inclusive com relatos de agressões e ameaças sofridas.

A preservação da Amazônia e de suas reservas indígenas estão presentes em vários debates no país, gerando diversas polêmicas. Nesse contexto, apresentou-se polêmica também recente declaração do atual ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que defendeu uma “desburocratização” de questões ambientais, ferindo diretamente, para estudiosos e especialistas do assunto, a defesa do meio ambiente. Necessário lembrar que comunidades indígenas no Brasil, ainda, estão correndo riscos de aumentarem seus contágios pelo Novo Coronavírus com o avanço dos desmatamentos em suas áreas, fato que poderá ser trágico para essas comunidades.

O que, então, se esperar para o meio ambiente e para as sociedades no pós-pandemia? As incertezas são muitas, mas as esperanças são grandes, afinal um novo modo de vida está sendo buscado e, forçadamente, implementado para todo o mundo. Necessidades de consumo têm sido revistas diariamente. Será que se precisa ter e consumir tantos produtos? Talvez essa “nova era” que se inicia seja mais do “ser” do que do “ter”. Logo, a produção industrial terá um ritmo diferente do que é de costume, e isso poderá levar a uma menor sobrecarga dos recursos ambientais.

Ademais, realidades como a do home office – trabalho em casa que, diante da pandemia, foi quase que obrigatoriamente colocada a uma boa parte dos trabalhadores, pode ser uma nova tendência para várias profissões, o que reduziria o uso de combustíveis fósseis nos meios de transporte e, consequentemente, traria benefícios para o meio ambiente. Contudo, importante lembrar que outros aspectos da adoção dessa forma de trabalho devem ser levados em consideração, suscitando mais estudos, análises e discussões sobre o assunto.

Enfim, os tempos são – e necessitam ser – de reflexões e de propostas para um mundo melhor, mais justo e solidário para todos e o Dia do Meio Ambiente representa isso: mais um momento para se (re)pensar e (re)planejar ações nesse planeta já tão prejudicado pelas atividades humanas.

Escrito por Renata Marques dos Santos, professora de Geografia do IFTM Campus Patos de Minas.



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