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IFTM realizou I Seminafro

Seminário Indígena e Afro-brasileiro ocorreu nos dias 17 e 18 de novembro e contou com mais de 1700 inscritos

  • Por IFTM Reitoria
  • Publicado em 24/11/2020 às 15:00
  • Última modificação 05/01/2021 às 11:45
Mesa 2: Quilombolas: (Re) existência histórica e cultural das comunidades quilombolas
Mesa 2: Quilombolas: (Re) existência histórica e cultural das comunidades quilombolas
Crédito: Patrícia Campos

Nos dias 17 e 18 de novembro, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro (IFTM), por meio dos Núcleos de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) e da Pró-reitoria de Ensino (PROEN), realizou o I Seminário Indígena e Afro-brasileiro da instituição com o tema “Dez anos do Estatuto da Igualdade Racial: desafios e avanços nas políticas de enfrentamento racial na Educação”.

Em virtude da pandemia de covid-19, o I Seminafro ocorreu de forma remota pela plataforma RNP com transmissão ao vivo pelo canal da instituição no YouTube. O evento contou com 1725 inscritos e mais de 2000 interações no YouTube no primeiro dia, dentre estudantes e servidores do IFTM e também  comunidade externa, que tiveram oportunidade de participar de um momento de grande aprendizagem e conscientização acerca da necessidade de garantia de acesso à educação e da construção de agendas político-pedagógicas com vistas à efetivação de currículos e práticas educacionais antirracistas na instituição.

A abertura do evento, realizada às 9h no dia 17, contou com a participação da reitora do IFTM, Deborah Santesso Bonnas; do pró-reitor de Ensino substituto do IFTM, Ricardo Soares Bôaventura; do pró-reitor de Extensão do IFTM, Ruy de Aguiar Araújo Júnior; da presidente do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (NEABI) do IFTM Campus Uberlândia, Talita Lucas Belizário; e do coordenador de Arte e Cultura do IFTM, Mário Luiz Assunção.

Ainda na abertura do I Seminafro, para mostrar um pouco da força de (re) existência da cultura afro-brasileira, aconteceu também a apresentação artística Andora sem Fronteiras, da companhia de dança Andora, projeto de extensão da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) fundado em 2008 pelo professor Antônio Carlos Moraes.

A apresentação retratou o jongo ou caxambu, ritmo que tem suas origens na região africana do congo-angola e que chegou ao Brasil com os negros de origem Bantu, escravizados nas fazendas da região sudeste do país.

Em seguida, iniciou-se a primeira mesa de discussão intitulada Desafios e avanços para as políticas públicas de enfrentamento ao racismo na educação com os professores Márcia Moreira Custódio, membro do NEABI do IFTM Campus Uberaba Parque Tecnológico, e Marlúcio Anselmo Alves, diretor geral do IFTM Campus Patrocínio. Os palestrantes falaram sobre a importância do Estatuto da Igualdade Racial para a educação étnico-racial e também sobre a necessidade do cumprimento das Leis 10.639/2005 e 11.645/2008, que incluem no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. A mesa foi mediada por Talita Lucas Belizário de Oliveira.

A segunda atividade do dia, a mesa De Pantera Negra a Beyonce: Lacrando a identidade negra, foi realizada pela fundadora do Coletivo Di Jejê, Jaqueline Conceição da Silva, que abordou questões relacionadas à identidade negra, racismo e feminismo negro, e mediada por Márcia Moreira Custódio. Jaqueline surpreendeu a todos ao abordar o tema da mesa de forma diferente, apresentando vídeos das cantoras brasileiras de funk Anitta e Ludmilla e enfatizando a importância de se valorizar a cultura brasileira e o protagonismo feminino das mulheres negras e pardas. Além disso, relatou as formas com que os corpos negros são apresentados na mídia, influenciando a construção da identidade negra.

A terceira e última mesa do dia 17 tratou sobre Ações Afirmativas: Cotas, Comissões de Heteroidentificação e NEABI, conduzida por Régis Rodrigues Elisio e Jane Maria dos Santos Reis, ambos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pesquisadores da temática. Regis falou sobre o histórico das cotas e da escolarização da população negra. Jane abordou os espaços que o negro ocupa na sociedade, racismo estrutural e o trabalho das Comissões de Heteroidentificação, enfatizando a necessidade do sistema de cotas. A mesa foi mediada por Stella Santana da Silva Jacinto, membro externo do NEABI do IFTM Campus Uberlândia.

No segundo dia de evento, a programação do I Seminafro iniciou-se com a apresentação da Batalha de Rap, com participação dos rappers Chaysler Emmanoel Galiza de Camargos (Drunk) do Coletivo 3000, Rafaela Rodrigues Soares (RJay) da Batalha do Coreto 034, Gehovanna Luiza Da Silva Mendonça e Matheus Vieira Borges dos Santos (Teus) da Hellsing Records.

A primeira mesa do dia, A coisa tá preta no IFTM: juventude e despertar racial, contou com a participação de estudantes e ex-estudantes da instituição. Ana Luíza Borges Teófilo Silva (estudante do curso Técnico em Computação Gráfica do IFTM Campus Uberaba Parque Tecnológico); Wederson Gutemberg Teotônio Silva (egresso do curso de Engenharia Agronômica do IFTM Campus Uberlândia); Lúcia Helena dos Santos Oliveira (egressa do curso Técnico em Eletrotécnica do IFTM Campus Ituiutaba); e Kênia Maria Silva (estudante do curso Técnico em Gestão Comercial do IFTM Campus Patrocínio) fizeram relatos emocionantes sobre suas trajetórias escolares/acadêmicas, suas experiências profissionais e seus despertares raciais. A atividade foi mediada por Márcia Moreira Custódio.

A mesa 2, Quilombolas: (Re) existência histórica e cultural das comunidades quilombolas, foi ministrada por Daniella de Souza Santos Néspoli, cujos estudos concentram-se nos assuntos referentes a políticas públicas de atendimento às comunidades quilombolas, direitos humanos, questão étnicorracial, questão agrária, movimentos sociais, arte, identidade e educação, e por Celenita Gualberto Pereira Bernieri, coordenadora estadual da Mulher Quilombola. As palestrantes falaram sobre o desenvolvimento político e social a partir das lutas pelos direitos humanos básicos dos povos quilombolas. A mesa foi mediada novamente por Márcia Moreira Custódio.

Como encerramento das atividades do I Seminafro do IFTM, tivemos a mesa Políticas afirmativas na Educação Indígena, ministrada por Márcia Wayna Kambeba, poeta e geógrafa brasileira da etnia Omágua/Kambeba. Márcia falou sobre educação indígena e ambiental, sobre interculturalidade e interdisciplinaridade em sala de aula, além da importância da política de cotas para pretos, pardos e indígenas. A mesa foi mediada por Bianca Soares de Oliveira Gonçalves, membro do NEABI do IFTM Campus Patrocínio.

Ao final do evento, Talita Lucas Belizário agradeceu a todos os participantes, palestrantes, autoridades e organizadores do I Seminafro. “A realização do evento foi um marco para a instituição e para os NEABI. Espera-se que o seminário impulsione reflexões, debates, pesquisas mais elaboradas sobre a temática, sua introdução nos currículos dos cursos, o combate ao racismo institucional, e o mais importante, a institucionalização de uma educação antirracista e a promoção da visibilidade dos corpos pretos no IFTM”, finalizou Talita.



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