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Aluno do curso de Engenharia de Computação é embaixador para questões étnico-raciais na empresa em que faz estágio

Wesciley foi escolhido para ser um dos líderes de transformação na filial da instituição na cidade de Piracicaba/SP

  • Por IFTM Campus Avançado Uberaba Parque Tecnológico
  • Publicado em 06/01/2021 às 00:00
  • Última modificação 20/01/2021 às 15:26
Wesciley na filial da empresa em Piracicaba/SP
Wesciley na filial da empresa em Piracicaba/SP
Crédito: Wesciley Junio Paes Silva

Aluno do 7° período do curso de Engenharia de Computação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro (IFTM) Campus Avançado Uberaba Parque Tecnológico, Wesciley Junio Paes Silva, faz estágio na Raízen, uma das empresas de um grande grupo empresarial da área de energia, Cosan. Para chegar lá, teve que disputar sua vaga com mais de 1900 candidatos de todo país. Mas essa matéria não é sobre a dificuldade de se conseguir um bom estágio.

Foi durante o processo de seleção da instituição que Wesciley começou a perceber uma desigualdade étnico-racial, pois havia pouquíssimos negros no grupo de estagiários. Assim, logo que entrou na empresa, começou a procurar uma maneira de começar um grupo de liderança negra e aí soube que tal grupo já estava sendo criado, não só para trabalhar questões étnico-raciais, como outros três grupos de afinidade: Equidade de gênero, PcD e LGBTQIAP+.

Segundo a professora do IFTM Campus Avançado Uberaba Parque Tecnológico, Márcia Custódio, que é líder do Grupo de Estudos e Pesquisas Quilombo Neabi do referido campus, quando o assunto é participação dos negros no mercado de trabalho, a realidade revela que houve pouco avanço nas conquistas para a equidade racial no Brasil. Segundo o relatório “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil” de 2018, as pessoas negras ocupam menos de 30% nos postos de liderança no mercado de trabalho. “Para diminuir esse fosso, é muito importante a iniciativa de instituições com projetos que estimulam a promoção da diversidade e da equidade racial e de gênero dentro da empresa”, completa Márcia.

A princípio, Wesciley foi convidado para participar de um vídeo. “Fui participar de um vídeo interno na consciência negra, contando um pouco da minha vivência como negro. Depois disso, segui fazendo questionamentos nos grupos de trabalho e logo me convidaram para participar do grupo de afinidade, me oficializando como Embaixador Hub (nome dado pela empresa) ”, relata o estagiário.

Os objetivos dos grupos de afinidade são disseminar conteúdos sobre os temas, trocar vivências e levantar problemáticas dentro da empresa, e assim ajudar a área de diversidade e inclusão. “ Eu fui escolhido para ser um dos líderes para transformação na empresa, começando a levantar pautas e problemáticas, além de incentivar ações orgânicas para disseminar educação dentro da organização, buscando mudanças tão importantes nos dias de hoje”, explica Wesciley.

Cada grupo de afinidade é composto por um responsável (Sponsor) e pelos transformadores (Embaixadores Hub e Embaixadores Locais) e todos trabalham de forma voluntária. O Embaixador Hub lidera um grupo de Embaixadores Locais, garantindo a frequência de encontros do grupo, o alinhamento com a estratégia corporativa, apoio ao time corporativo com ideias e execução de ações e apoio a iniciativas orgânicas da empresa com direcionamento e insights.

Para a professora do IFTM Campus Avançado Uberaba Parque Tecnológico, Lívia Zanier, orientadora de iniciação científica do Wesciley, é muito bom quando as empresas dão continuidade a projetos de cidadania comuns ao espaço escolar, os quais deveriam ser normais em todo espaço humano. E completa: “o Wesciley, que está conosco desde o Ensino Técnico Integrado ao Médio, reúne em si capacidades técnica e humana e representa muito bem os nossos alunos atuais e egressos do Campus Avançado Uberaba Parque Tecnológico. Que orgulho!"

Wesciley começou estágio há três meses e já alcançou essa posição de liderança. Segundo ele, a empresa costuma efetivar seus estagiários, o que o deixa com grande expectativa: “São, no mínimo, seis meses de estágio para ser efetivado. Estou trabalhando na filial de Piracicaba/SP, em home office, mas se conseguir ser efetivado entraria em regime híbrido (3 dias em casa e 2 no escritório) até me formar”, conta o futuro engenheiro.

Wesciley finaliza a matéria com um recado para quem está buscando um bom estágio em uma empresa de destaque: “Acho que é muito importante ir sem medo. Esquecer um pouco do 'é muito difícil' e pensar mais no 'eu consigo', principalmente para quem é minoria racial como eu. É difícil sim, mas estamos aqui para provar que, independentemente disso, empresas grandes também são nosso lugar! E não esqueçam as soft skills! A parte técnica é importante e te ajuda muito no estágio em si. Mas no processo seletivo, o que vai te diferenciar são coisas como quem é você, o que te representa e como você trabalha em equipe”.



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