IFTM Campus Sete Lagoas participa de evento da UFSJ e fortalece parceria pela educação pública na região
Crédito: Guilherme Brasil (jornalista IFTM)
O Campus Sete Lagoas, do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), participou, nos dias 7 e 8 de maio, do evento “Da Universidade à Comunidade” (DUC), promovido pelo Campus Sete Lagoas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). A iniciativa teve formato de universidade de portas abertas e recebeu estudantes de escolas públicas e privadas para atividades de aproximação com o ambiente acadêmico, científico e tecnológico.
Durante o evento, o IFTM Campus Sete Lagoas manteve um estande institucional voltado à divulgação dos cursos de Ensino Médio Integrado, do Centro de Idiomas e das possibilidades formativas oferecidas pela unidade. Professores e estudantes do campus também participaram da programação, que incluiu visitas guiadas, oficinas, atividades interativas e contato com laboratórios, projetos de pesquisa, ações de extensão e espaços de formação da UFSJ.
Para a diretora-geral do IFTM Campus Sete Lagoas, Renata Marques dos Santos, a participação no evento ampliou a visibilidade do Instituto Federal e abriu novas possibilidades de parceria com a universidade.
“Foi excelente. Fizemos muitas conexões e parcerias. Nossos professores tiveram integração com professores da UFSJ em diferentes áreas, o que pode gerar projetos, pesquisas e oficinas. Também foi uma oportunidade muito importante para dar visibilidade ao Instituto Federal. Muitos estudantes de outras escolas públicas chegavam ao nosso estande e diziam que ainda não conheciam o campus. Então, o evento atendeu ao que esperávamos: tornar o IFTM mais conhecido e mostrar o trabalho que o Instituto Federal desenvolve”, destacou Renata.
Segundo a diretora, a experiência também teve impacto direto na formação dos estudantes do IFTM, especialmente pela possibilidade de conhecer uma universidade federal e participar de atividades práticas em diferentes áreas do conhecimento.
“Nossos estudantes participaram das atividades, brincaram, interagiram e estavam felizes por conhecer uma universidade. A maior parte deles nunca tinha ido ao campus da UFSJ. Foi uma experiência muito produtiva e positiva, que reforça a importância de estreitar esses laços. A Universidade Federal de São João del-Rei e o Instituto Federal do Triângulo Mineiro têm um objetivo comum: oferecer educação pública e de qualidade para Sete Lagoas e região”, afirmou.
Estande apresentou cursos, idiomas e automação industrial
No espaço do IFTM Campus Sete Lagoas, a comunidade pôde conhecer informações sobre os cursos técnicos Integrados ao Ensino Médio Integrado em Automação Industrial e Desenvolvimento de Sistemas, além das ações do Centro de Idiomas. O estande também contou com demonstração prática conduzida pelo professor Silas Martins Souza, do curso de Automação Industrial.
O professor levou ao evento uma estrutura didática para simular processos reais de automação utilizados em ambientes industriais. Para tornar a demonstração mais didática, Silas apresentou uma simulação de automação industrial semelhante ao funcionamento de uma linha de produção. O sistema tinha como base um Controlador Lógico Programável (CLP), que funciona como o “cérebro” da automação. Esse equipamento estava conectado a um notebook, a um monitor e a um motor físico.
Na tela, os visitantes acompanhavam uma esteira virtual com caixas em movimento: ao chegar ao fim do percurso, uma caixa seguia para a direita e outra para a esquerda, como ocorreria em um processo automatizado de separação dentro de uma fábrica. Ao mesmo tempo, o motor conectado ao sistema funcionava em sintonia com a simulação, como se movimentasse uma esteira real. A estrutura também contava com um botão físico de parada, semelhante aos dispositivos usados em ambientes industriais para interromper a produção em caso de necessidade.
A atividade despertou a curiosidade dos visitantes e aproximou o público de tecnologias presentes em empresas da região. “O objetivo foi mostrar o que realmente acontece em um sistema de automação industrial de uma indústria real. Trouxemos um sistema controlado por CLP, considerado o coração da automação industrial. É ele que faz o controle das lógicas e máquinas de um processo. Também apresentamos um inversor de frequência, usado para controlar a velocidade de um motor, e um software que simula um processo industrial de separação de caixas por meio de esteiras transportadoras”, explicou Silas.
De acordo com o professor, a demonstração permitiu apresentar, de forma visual e interativa, conteúdos que os estudantes do curso aprendem ao longo da formação.
“Durante os três anos de curso, o estudante aprende uma base e, no segundo e no terceiro ano, começa a ver equipamentos realmente utilizados na indústria, como CLP, inversor, motor e telas supervisórias. Esses recursos capacitam o aluno para atuar em processos industriais. Em uma feira, isso também funciona como um chamariz. As pessoas veem um motor, uma placa, um equipamento físico, acham tecnológico e perguntam o que é. A partir daí, conseguimos explicar que isso já existe na região, em empresas e indústrias que fazem parte da realidade de Sete Lagoas”, completou.
Além da simulação da linha de produção, o professor também levou um pequeno robô em formato de minion para apresentar noções básicas de robótica. O equipamento reagia à presença da mão diante de seus sensores: quando alguém colocava a mão em frente ao “olho” do robô, ele movimentava apenas um dos pés; ao retirar a mão, passava a movimentar os dois. A atividade ajudou a mostrar, de forma simples e visual, como sensores, comandos e movimentos programados fazem parte da lógica da automação e da robótica.
Estudantes participaram de oficinas e visitas guiadas
Além da divulgação institucional, estudantes das turmas de Desenvolvimento de Sistemas e Automação Industrial participaram da programação da UFSJ. Entre as atividades ofertadas estavam visitas ao campo experimental, visitas guiadas a espaços do Campus da UFSJ, oficinas.
O estudante Adriel Leandro Almeida Ferreira, aluno do curso de Automação Industrial do IFTM, que participou de uma oficina de geoprocessamento e sensoriamento remoto, destacou o contato com equipamentos e práticas diferentes da rotina escolar. “Eu achei muito interessante a forma de aprendizado. Era um equipamento complexo, mas, quando a gente tem a experiência, consegue entender melhor o manuseio. Eu gosto muito de aprender e, sempre que tenho a oportunidade de conhecer alguma coisa nova, procuro aproveitar”, afirmou.
A participação dos estudantes também permitiu relacionar conteúdos de sala de aula com situações práticas. Para o professor Ismael Carneiro, professor de Química do IFTM Campus Sete Lagoas, a oficina de hidroponia, por exemplo, abriu possibilidades de diálogo com diferentes áreas do conhecimento.
“Foi apresentado um sistema de produção de alimentos por hidroponia, em ambiente controlado, com benefícios como a redução de pragas de solo e a produção de alimentos mais higiênicos, sem uso de pesticidas e herbicidas. Na área de Química, é possível trabalhar a preparação da solução usada na hidroponia, que contém micro e macronutrientes. Também dá para abordar cálculo de concentração, diluição, correção de pH e condutividade. A Biologia pode trabalhar os aspectos das plantas e a Física também pode aproveitar conceitos relacionados ao sistema”, explicou.
Os estudantes do IFTM também tiveram a chance de conhecer o projeto Viveiro Educativo, coordenado pelo professor José Carlos Rufini, professor de Fruticultura e tutor do grupo PET Agronomia, ligado ao Ministério da Educação. A oficina ofertada aos estudantes no DUC trabalha com escolas e a temática ambiental. Durante a atividade, os participantes conheceram práticas de produção de mudas e multiplicação de espécies nativas, com destaque para o Faveiro-de-Wilson, planta ameaçada de extinção.
“A oficina foi baseada principalmente no projeto Viveiro Educativo. Os estudantes multiplicaram uma planta em extinção, o Faveiro-de-Wilson, e compreenderam a importância de preservar espécies nativas e produzir mudas para recuperação de biomas e para a sustentabilidade. A prática envolve desde a escolha dos recipientes e substratos até técnicas para superar a dormência das sementes, como lixar uma pequena parte da semente para permitir a entrada de água e favorecer a germinação”, explicou Rufini.
Para o professor, a atividade também reforça o papel da extensão universitária como espaço de troca entre instituições, estudantes e comunidade.
“A extensão é uma via de mão dupla. Os estudantes que participam conseguem aplicar conceitos na prática, voltar para a sala de aula e compreender melhor processos como a germinação. Ao mesmo tempo, os alunos que aplicam a oficina desenvolvem habilidades de comunicação e apresentação em público. É uma forma de levar consciência sobre a importância da produção de mudas, da recuperação de ambientes e da preservação ambiental”, afirmou.
Evento aproximou universidade, escolas e comunidade
O evento “Da Universidade à Comunidade” foi realizado pela UFSJ com apoio de projeto aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A programação teve atividades voltadas ao ensino médio pela manhã e ao ensino fundamental no período da tarde, com estações temáticas, exposições, laboratórios, oficinas, rodas de conversa e ações de integração.
A professora Nádia Parrela, do Departamento de Ciências Agrárias da UFSJ, foi responsável pela submissão do projeto ao CNPq. Segundo ela, a proposta buscou aproximar estudantes da educação básica da universidade pública, com atenção especial às escolas públicas.
“Todos os anos, o CNPq lança um edital específico para esse tipo de atividade, voltado à divulgação dos institutos e das universidades. No nosso caso, propus uma atividade de universidade de portas abertas, submeti o projeto e tivemos a felicidade de obter aprovação com recurso financeiro, o que foi essencial para mobilizar tantos alunos e tantas atividades no campus”, explicou.
De acordo com Nádia, o convite foi aberto às escolas, mas a organização buscou priorizar instituições públicas, considerando as dificuldades de acesso de muitos estudantes a experiências universitárias fora da cidade.
“Quando definimos o número de vagas, tínhamos em mente a prioridade para escolas públicas. Muitas vezes, a escola pública não tem recurso ou disponibilidade para levar estudantes a uma mostra de profissões em outras cidades. Aqui, dentro de Sete Lagoas, fica mais fácil trazer os alunos. Conseguimos receber escolas públicas e algumas particulares, mas a maioria foi de escolas públicas”, afirmou.
A professora também destacou a importância de uma formação técnica anterior à entrada no ensino superior, especialmente em áreas como Agronomia, Engenharia Florestal e Engenharia de Alimentos.
“Eu conversava com a Renata sobre o quanto seria interessante receber, no futuro, estudantes com formação técnica vindos do Instituto Federal. O aluno que vem de um curso técnico já tem outro olhar e chega um pouco mais preparado para a universidade. Percebemos que esse estudante tende a ter mais facilidade nas disciplinas básicas, como cálculo e outras bases comuns das engenharias, antes de seguir para as disciplinas profissionais”, avaliou.
Parceria entre instituições deve ter novas ações
A aproximação entre o IFTM Campus Sete Lagoas e a UFSJ deve continuar em outras iniciativas ao longo do ano. Segundo Renata Marques, o IFTM já recebeu convite para participar da mostra de cursos da universidade, prevista para o fim do ano, e também deve integrar ações do Inverno Cultural, promovido pela UFSJ em Sete Lagoas.
“A ideia é que essa parceria se estenda para outros eventos ao longo do ano. No fim do ano, haverá a mostra de cursos da UFSJ, e nós já estamos convidados. No meio do ano, tem o Inverno Cultural aqui na cidade, promovido pela universidade, e também já firmamos parceria para participar, oferecer oficinas, levar nossos estudantes e ajudar na divulgação. Um ajuda o outro. Com esforço conjunto, conseguimos fortalecer cada vez mais a Rede Federal de Ensino”, ressaltou a diretora.
A coordenadora administrativa do Campus Sete Lagoas da UFSJ, Adriana Santana, também avaliou positivamente a presença do IFTM no evento e reforçou a abertura da universidade para ações conjuntas.
“É uma grande alegria estar com as portas abertas da universidade para receber os alunos e permitir que eles vivenciem um pouco do nosso ambiente. A UFSJ está em Sete Lagoas desde 2009, e agora temos o Instituto Federal com sua grande força e possibilidade de agregar ainda mais à educação do município e da região. É uma parceria de muito sucesso. A universidade está de portas abertas para o Instituto. O IFTM é nosso amigo, nosso vizinho, e queremos vocês sempre por perto”, declarou.
