IFTM e UFSJ

IFTM Campus Sete Lagoas participa de evento da UFSJ e fortalece parceria pela educação pública na região

Estudantes conheceram a estrutura da universidade, participaram de atividades práticas, enquanto o campus apresentou sua estrutura para os visitantes
Publicado em 11/05/2026 15:26 Atualizado em 11/05/2026 15:27
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Estudantes do IFTM participam de oficina do projeto Viveiro Educativo, da UFSJ, que busca preservar plantas do Cerrado
Estudantes do IFTM participam de oficina do projeto Viveiro Educativo, da UFSJ, que busca preservar plantas do Cerrado
Crédito: Guilherme Brasil (jornalista IFTM)

O Campus Sete Lagoas, do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), participou, nos dias 7 e 8 de maio, do evento “Da Universidade à Comunidade” (DUC), promovido pelo Campus Sete Lagoas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). A iniciativa teve formato de universidade de portas abertas e recebeu estudantes de escolas públicas e privadas para atividades de aproximação com o ambiente acadêmico, científico e tecnológico.

Durante o evento, o IFTM Campus Sete Lagoas manteve um estande institucional voltado à divulgação dos cursos de Ensino Médio Integrado, do Centro de Idiomas e das possibilidades formativas oferecidas pela unidade. Professores e estudantes do campus também participaram da programação, que incluiu visitas guiadas, oficinas, atividades interativas e contato com laboratórios, projetos de pesquisa, ações de extensão e espaços de formação da UFSJ.

Para a diretora-geral do IFTM Campus Sete Lagoas, Renata Marques dos Santos, a participação no evento ampliou a visibilidade do Instituto Federal e abriu novas possibilidades de parceria com a universidade.

“Foi excelente. Fizemos muitas conexões e parcerias. Nossos professores tiveram integração com professores da UFSJ em diferentes áreas, o que pode gerar projetos, pesquisas e oficinas. Também foi uma oportunidade muito importante para dar visibilidade ao Instituto Federal. Muitos estudantes de outras escolas públicas chegavam ao nosso estande e diziam que ainda não conheciam o campus. Então, o evento atendeu ao que esperávamos: tornar o IFTM mais conhecido e mostrar o trabalho que o Instituto Federal desenvolve”, destacou Renata.

Segundo a diretora, a experiência também teve impacto direto na formação dos estudantes do IFTM, especialmente pela possibilidade de conhecer uma universidade federal e participar de atividades práticas em diferentes áreas do conhecimento.

“Nossos estudantes participaram das atividades, brincaram, interagiram e estavam felizes por conhecer uma universidade. A maior parte deles nunca tinha ido ao campus da UFSJ. Foi uma experiência muito produtiva e positiva, que reforça a importância de estreitar esses laços. A Universidade Federal de São João del-Rei e o Instituto Federal do Triângulo Mineiro têm um objetivo comum: oferecer educação pública e de qualidade para Sete Lagoas e região”, afirmou.

Estande apresentou cursos, idiomas e automação industrial

No espaço do IFTM Campus Sete Lagoas, a comunidade pôde conhecer informações sobre os cursos técnicos Integrados ao Ensino Médio Integrado em Automação Industrial e Desenvolvimento de Sistemas, além das ações do Centro de Idiomas. O estande também contou com demonstração prática conduzida pelo professor Silas Martins Souza, do curso de Automação Industrial.

O professor levou ao evento uma estrutura didática para simular processos reais de automação utilizados em ambientes industriais. Para tornar a demonstração mais didática, Silas apresentou uma simulação de automação industrial semelhante ao funcionamento de uma linha de produção. O sistema tinha como base um Controlador Lógico Programável (CLP), que funciona como o “cérebro” da automação. Esse equipamento estava conectado a um notebook, a um monitor e a um motor físico.

Na tela, os visitantes acompanhavam uma esteira virtual com caixas em movimento: ao chegar ao fim do percurso, uma caixa seguia para a direita e outra para a esquerda, como ocorreria em um processo automatizado de separação dentro de uma fábrica. Ao mesmo tempo, o motor conectado ao sistema funcionava em sintonia com a simulação, como se movimentasse uma esteira real. A estrutura também contava com um botão físico de parada, semelhante aos dispositivos usados em ambientes industriais para interromper a produção em caso de necessidade.

A atividade despertou a curiosidade dos visitantes e aproximou o público de tecnologias presentes em empresas da região. “O objetivo foi mostrar o que realmente acontece em um sistema de automação industrial de uma indústria real. Trouxemos um sistema controlado por CLP, considerado o coração da automação industrial. É ele que faz o controle das lógicas e máquinas de um processo. Também apresentamos um inversor de frequência, usado para controlar a velocidade de um motor, e um software que simula um processo industrial de separação de caixas por meio de esteiras transportadoras”, explicou Silas.

De acordo com o professor, a demonstração permitiu apresentar, de forma visual e interativa, conteúdos que os estudantes do curso aprendem ao longo da formação.

“Durante os três anos de curso, o estudante aprende uma base e, no segundo e no terceiro ano, começa a ver equipamentos realmente utilizados na indústria, como CLP, inversor, motor e telas supervisórias. Esses recursos capacitam o aluno para atuar em processos industriais. Em uma feira, isso também funciona como um chamariz. As pessoas veem um motor, uma placa, um equipamento físico, acham tecnológico e perguntam o que é. A partir daí, conseguimos explicar que isso já existe na região, em empresas e indústrias que fazem parte da realidade de Sete Lagoas”, completou.

Além da simulação da linha de produção, o professor também levou um pequeno robô em formato de minion para apresentar noções básicas de robótica. O equipamento reagia à presença da mão diante de seus sensores: quando alguém colocava a mão em frente ao “olho” do robô, ele movimentava apenas um dos pés; ao retirar a mão, passava a movimentar os dois. A atividade ajudou a mostrar, de forma simples e visual, como sensores, comandos e movimentos programados fazem parte da lógica da automação e da robótica.

Estudantes participaram de oficinas e visitas guiadas

Além da divulgação institucional, estudantes das turmas de Desenvolvimento de Sistemas e Automação Industrial participaram da programação da UFSJ. Entre as atividades ofertadas estavam visitas ao campo experimental, visitas guiadas a espaços do Campus da UFSJ, oficinas.

O estudante Adriel Leandro Almeida Ferreira, aluno do curso de Automação Industrial do IFTM, que participou de uma oficina de geoprocessamento e sensoriamento remoto, destacou o contato com equipamentos e práticas diferentes da rotina escolar. “Eu achei muito interessante a forma de aprendizado. Era um equipamento complexo, mas, quando a gente tem a experiência, consegue entender melhor o manuseio. Eu gosto muito de aprender e, sempre que tenho a oportunidade de conhecer alguma coisa nova, procuro aproveitar”, afirmou.

A participação dos estudantes também permitiu relacionar conteúdos de sala de aula com situações práticas. Para o professor Ismael Carneiro, professor de Química do IFTM Campus Sete Lagoas, a oficina de hidroponia, por exemplo, abriu possibilidades de diálogo com diferentes áreas do conhecimento.

“Foi apresentado um sistema de produção de alimentos por hidroponia, em ambiente controlado, com benefícios como a redução de pragas de solo e a produção de alimentos mais higiênicos, sem uso de pesticidas e herbicidas. Na área de Química, é possível trabalhar a preparação da solução usada na hidroponia, que contém micro e macronutrientes. Também dá para abordar cálculo de concentração, diluição, correção de pH e condutividade. A Biologia pode trabalhar os aspectos das plantas e a Física também pode aproveitar conceitos relacionados ao sistema”, explicou.

Os estudantes do IFTM também tiveram a chance de conhecer o projeto Viveiro Educativo, coordenado pelo professor José Carlos Rufini, professor de Fruticultura e tutor do grupo PET Agronomia, ligado ao Ministério da Educação. A oficina ofertada aos estudantes no DUC trabalha com escolas e a temática ambiental. Durante a atividade, os participantes conheceram práticas de produção de mudas e multiplicação de espécies nativas, com destaque para o Faveiro-de-Wilson, planta ameaçada de extinção.

“A oficina foi baseada principalmente no projeto Viveiro Educativo. Os estudantes multiplicaram uma planta em extinção, o Faveiro-de-Wilson, e compreenderam a importância de preservar espécies nativas e produzir mudas para recuperação de biomas e para a sustentabilidade. A prática envolve desde a escolha dos recipientes e substratos até técnicas para superar a dormência das sementes, como lixar uma pequena parte da semente para permitir a entrada de água e favorecer a germinação”, explicou Rufini.

Para o professor, a atividade também reforça o papel da extensão universitária como espaço de troca entre instituições, estudantes e comunidade.

“A extensão é uma via de mão dupla. Os estudantes que participam conseguem aplicar conceitos na prática, voltar para a sala de aula e compreender melhor processos como a germinação. Ao mesmo tempo, os alunos que aplicam a oficina desenvolvem habilidades de comunicação e apresentação em público. É uma forma de levar consciência sobre a importância da produção de mudas, da recuperação de ambientes e da preservação ambiental”, afirmou.

Evento aproximou universidade, escolas e comunidade

O evento “Da Universidade à Comunidade” foi realizado pela UFSJ com apoio de projeto aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A programação teve atividades voltadas ao ensino médio pela manhã e ao ensino fundamental no período da tarde, com estações temáticas, exposições, laboratórios, oficinas, rodas de conversa e ações de integração.

A professora Nádia Parrela, do Departamento de Ciências Agrárias da UFSJ, foi responsável pela submissão do projeto ao CNPq. Segundo ela, a proposta buscou aproximar estudantes da educação básica da universidade pública, com atenção especial às escolas públicas.

“Todos os anos, o CNPq lança um edital específico para esse tipo de atividade, voltado à divulgação dos institutos e das universidades. No nosso caso, propus uma atividade de universidade de portas abertas, submeti o projeto e tivemos a felicidade de obter aprovação com recurso financeiro, o que foi essencial para mobilizar tantos alunos e tantas atividades no campus”, explicou.

De acordo com Nádia, o convite foi aberto às escolas, mas a organização buscou priorizar instituições públicas, considerando as dificuldades de acesso de muitos estudantes a experiências universitárias fora da cidade.

“Quando definimos o número de vagas, tínhamos em mente a prioridade para escolas públicas. Muitas vezes, a escola pública não tem recurso ou disponibilidade para levar estudantes a uma mostra de profissões em outras cidades. Aqui, dentro de Sete Lagoas, fica mais fácil trazer os alunos. Conseguimos receber escolas públicas e algumas particulares, mas a maioria foi de escolas públicas”, afirmou.

A professora também destacou a importância de uma formação técnica anterior à entrada no ensino superior, especialmente em áreas como Agronomia, Engenharia Florestal e Engenharia de Alimentos.

“Eu conversava com a Renata sobre o quanto seria interessante receber, no futuro, estudantes com formação técnica vindos do Instituto Federal. O aluno que vem de um curso técnico já tem outro olhar e chega um pouco mais preparado para a universidade. Percebemos que esse estudante tende a ter mais facilidade nas disciplinas básicas, como cálculo e outras bases comuns das engenharias, antes de seguir para as disciplinas profissionais”, avaliou.

Parceria entre instituições deve ter novas ações

A aproximação entre o IFTM Campus Sete Lagoas e a UFSJ deve continuar em outras iniciativas ao longo do ano. Segundo Renata Marques, o IFTM já recebeu convite para participar da mostra de cursos da universidade, prevista para o fim do ano, e também deve integrar ações do Inverno Cultural, promovido pela UFSJ em Sete Lagoas.

“A ideia é que essa parceria se estenda para outros eventos ao longo do ano. No fim do ano, haverá a mostra de cursos da UFSJ, e nós já estamos convidados. No meio do ano, tem o Inverno Cultural aqui na cidade, promovido pela universidade, e também já firmamos parceria para participar, oferecer oficinas, levar nossos estudantes e ajudar na divulgação. Um ajuda o outro. Com esforço conjunto, conseguimos fortalecer cada vez mais a Rede Federal de Ensino”, ressaltou a diretora.

A coordenadora administrativa do Campus Sete Lagoas da UFSJ, Adriana Santana, também avaliou positivamente a presença do IFTM no evento e reforçou a abertura da universidade para ações conjuntas.

“É uma grande alegria estar com as portas abertas da universidade para receber os alunos e permitir que eles vivenciem um pouco do nosso ambiente. A UFSJ está em Sete Lagoas desde 2009, e agora temos o Instituto Federal com sua grande força e possibilidade de agregar ainda mais à educação do município e da região. É uma parceria de muito sucesso. A universidade está de portas abertas para o Instituto. O IFTM é nosso amigo, nosso vizinho, e queremos vocês sempre por perto”, declarou.

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