Inteligência Artificial

UCP de Inteligência Artificial Aplicada encerra atividades com prática sobre códigos gerados por IA

Unidade Curricular Politécnica reuniu 29 estudantes e trabalhou engenharia de prompt, uso de APIs e integração de modelos de inteligência artificial ao desenvolvimento de software
Publicado em 25/05/2026 20:13 Atualizado em 26/05/2026 10:54
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Turma da UCP de Inteligência Artificial Aplicada no Campus Uberlândia Centro
Turma da UCP de Inteligência Artificial Aplicada no Campus Uberlândia Centro
Crédito: Divulgação

O Campus Uberlândia Centro, do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), encerrou neste mês as atividades da Unidade Curricular Politécnica (UCP) de Inteligência Artificial Aplicada. A proposta apresentou aos estudantes formas de integrar modelos de inteligência artificial ao desenvolvimento de software, com atividades práticas relacionadas ao uso de modelos locais, APIs, engenharia de prompt e avaliação de códigos gerados por IA.

A UCP contou com a participação de 29 estudantes, sendo 26 do curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas e três do curso de Jogos Digitais. A atividade foi ofertada pelo professor Carlos Eduardo Dantas e terá nova edição a partir da próxima segunda-feira, no segundo trimestre letivo.

Durante a unidade curricular, os alunos conheceram diferentes abordagens para o consumo de modelos de inteligência artificial. Foram estudados modelos executados localmente nas máquinas dos próprios estudantes e modelos disponibilizados on-line por meio de APIs e chaves de acesso. Também foram trabalhados conceitos de engenharia de prompt, com foco no aprimoramento das consultas feitas aos modelos, além de formas de expor esses recursos como serviços integrados a aplicações de software.

A proposta de Inteligência Artificial Aplicada teve relação direta com desenvolvimento de software e exigiu conhecimentos prévios de programação. Segundo Carlos Eduardo, um dos pontos de destaque foi a participação de oito estudantes do primeiro ano do curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas, que acompanharam as atividades normalmente. “O que me chamou a atenção é que, dos 26 alunos de Desenvolvimento de Sistemas, oito eram do primeiro ano e acompanharam normalmente. Isso me impressionou. O nível do primeiro ano está muito bom”, afirmou o professor.

Atividade final comparou modelos de inteligência artificial

Na aula de encerramento, os estudantes realizaram uma atividade prática de pesquisa voltada à avaliação da qualidade de códigos-fonte gerados por diferentes modelos de inteligência artificial. A turma comparou 20 trechos de código produzidos por cada um dos modelos analisados: Qwen, Llama e GPT.

A análise permitiu discutir diferenças relacionadas à segurança, à presença de bugs e à legibilidade dos códigos gerados. A atividade também contribuiu para que os estudantes refletissem sobre os limites, as possibilidades e os cuidados necessários no uso de modelos de IA no desenvolvimento de software.

Para o professor Carlos Eduardo Dantas, a UCP foi importante por aproximar os estudantes de uma aplicação mais técnica e operacional da inteligência artificial. “A inteligência artificial está muito presente no dia a dia dos estudantes. Eles consomem bastante inteligência artificial para auxiliar nos estudos. Esses modelos que vão surgindo, porque existem vários modelos de inteligência artificial, já fazem parte do cotidiano deles. Eles sabem que existem, escutam falar e têm contato com esse tema”, afirmou.

Segundo o docente, a proposta buscou avançar para além do uso cotidiano de ferramentas baseadas em IA. “O que faltava era um pouco de operacionalização, no sentido de entender como aprimorar um prompt e como colocar um modelo de inteligência artificial dentro de um software para responder coisas específicas. Foi nesse aspecto que a UCP entrou: para a inteligência artificial deixar de ser apenas um site web que eles consomem e passar a fazer parte de um sistema desenvolvido por eles”, explicou.

Carlos Eduardo também destacou que a unidade curricular se relaciona diretamente com a formação técnica dos estudantes que já possuem contato com programação. “A UCP era mais dedicada a alunos com interesse em computação, seja de Análise e Desenvolvimento de Sistemas ou de Jogos Digitais, porque ela está muito conectada ao desenvolvimento de software. O aluno precisava saber programar e conhecer uma linguagem de programação”, completou.

Estudantes destacam uso crítico da inteligência artificial

Para os estudantes, a UCP contribuiu para ampliar a compreensão sobre o funcionamento dos modelos de inteligência artificial e sobre os cuidados necessários no uso dessas ferramentas. A estudante Rafaella Santos Lopes, do 2º ano do curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas, avaliou que a participação na unidade curricular permitiu compreender melhor a evolução da inteligência artificial e suas aplicações na programação.

“Participar da UCP foi uma experiência incrível, que me permitiu compreender como a inteligência artificial evoluiu de modelos especialistas para os grandes modelos de linguagem atuais. Durante a UCP, aprendi a usar ferramentas de IA para tarefas de programação, como identificar trechos de código duplicados. Também aprendi a orientar melhor as respostas da IA por meio dos prompts. Entendi que a IA é uma ferramenta de apoio muito boa, porém é necessário saber usá-la”, afirmou.

A estudante também destacou que a atividade reforçou a necessidade de avaliar criticamente as respostas geradas pelos modelos. “Entendi que os modelos de IA não são sistemas infalíveis, pois apresentam limitações e podem gerar respostas incorretas, o que exige atenção na hora de usar uma resposta. Percebi também que a qualidade do que a IA produz depende de como foi descrita a ação que pedimos. Dessa forma, passei a enxergar a IA como uma ferramenta de apoio eficiente, mas que exige atenção quando recebo uma resposta”, completou.

Para Caio Gabriel Silva Almeida, estudante do 3º ano do curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas, a UCP ajudou a desenvolver uma postura mais crítica diante dos diferentes modelos de inteligência artificial.

“Participar da UCP proposta pelo professor me ajudou a ter um olhar mais crítico quanto aos diferentes modelos de IA, e os exercícios desenvolvidos no decorrer do trimestre contribuíram bastante para isso. Em relação à aplicação no desenvolvimento de software, senti que meu maior aprendizado teve ligação com a engenharia de prompt, justamente porque, a partir de um seminário em que os grupos precisavam analisar três modelos diferentes, percebi a importância de um contexto e de uma explicação metódica para eles”, relatou.

Segundo Caio, a experiência reforçou sua percepção sobre o papel da inteligência artificial no desenvolvimento de software. “Não acredito que a minha visão sobre essas ferramentas tenha mudado, mas sim sido reforçada. Vejo esses modelos como um meio de impulsionar o desenvolvimento de software, permitindo aos profissionais da área aumentar sua produtividade significativamente”, avaliou.

Iago Borges Barbosa, estudante do 3º ano do curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas, também destacou que a UCP contribuiu para compreender melhor as diferenças entre os modelos de inteligência artificial. “A experiência de ter participado da UCP foi muito interessante. Aprendi que os modelos de inteligência artificial não são bons em tudo: alguns são melhores na geração de código, enquanto outros são melhores para explicar ou analisar soluções. Além disso, percebi que, mesmo com a evolução dessas ferramentas, ainda é necessário ter um conhecimento técnico razoável para avaliar, corrigir e até mesmo utilizar corretamente o que a IA produz”, afirmou.

Segundo o estudante, a comparação entre os códigos gerados por diferentes modelos também mostrou a importância de saber escolher a ferramenta mais adequada para cada situação. “A comparação entre códigos gerados por diferentes modelos mostrou que cada IA pode responder de maneiras diferentes para o mesmo problema, algumas mais eficientes e outras com certas limitações. Percebi, por exemplo, que alguns modelos são mais objetivos e entregam o código rapidamente, enquanto outros primeiro explicam o raciocínio antes de apresentar a solução. Por isso, é importante saber escolher entre os modelos de IA”, completou.

Nova oferta começa no segundo trimestre

De acordo com Carlos Eduardo, a experiência da primeira turma foi positiva e deve orientar o aperfeiçoamento da proposta nas próximas ofertas. A nova edição da UCP de Inteligência Artificial Aplicada terá início na próxima segunda-feira.

“O saldo foi excelente para uma primeira turma. Ela será ofertada novamente no segundo trimestre, e a ideia é aperfeiçoá-la cada vez mais, porque é um caminho sem volta. Nossos alunos precisam estar cada vez mais preparados para trabalhar com inteligência artificial de maneira efetiva”, avaliou.

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