Estudantes do IFTM Campus Uberlândia Centro são contemplados com bolsas para intercâmbio na Inglaterra
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Dois estudantes do Campus Uberlândia Centro foram contemplados com bolsas em editais institucionais de mobilidade internacional do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM). Os alunos foram classificados nos projetos Eurotunnel e Choices, ambos voltados à realização de intercâmbio cultural no exterior, com duração de duas semanas.
No Projeto Choices, o estudante Pedro Lucas Ferreira Souza, do curso de Ensino Médio Integrado ao Técnico em Comércio, ficou em 1º lugar no resultado final, com 146 pontos, e foi contemplado com bolsa para intercâmbio na Inglaterra. A atividade tem início previsto para agosto de 2026, com destino a Cambridge.
Já no Projeto Eurotunnel, a estudante Giovanna Chiezo Barros, estudante do curso de Tecnologia em Marketing, ficou em 2º lugar no resultado final, também com 146 pontos, e foi contemplada com bolsa para intercâmbio na Inglaterra. A experiência tem início previsto para julho de 2026 e também será realizada em Cambridge, conforme destino indicado no resultado final.
Para Giovanna, a classificação representa a realização de um sonho construído ao longo da trajetória acadêmica no IFTM. A estudante conta que acompanhou a divulgação do resultado pelo site institucional e que viu a publicação no momento em que acessava a página.
“Na hora, fiquei em choque, porque não parecia real. Acho que, até hoje, ainda não consegui vivenciar completamente essa emoção. Tenho a sensação de que a ficha só vai cair de verdade quando eu chegar lá. Mas foi uma felicidade imensa, porque representa a realização de um sonho”, afirma Giovanna.
Pedro também acompanhou a publicação do resultado com expectativa. Segundo o estudante, a classificação em primeiro lugar teve um significado especial por representar o resultado de um processo iniciado ainda no primeiro ano de curso.
“Quando o documento carregou, estava lá: Pedro Lucas em primeiro lugar. Eu fiquei realmente muito feliz, não sei nem descrever a sensação. É uma felicidade imensa ver meu nome na parte de contemplados com bolsa. É uma sensação indescritível”, relata Pedro.
Além dos dois estudantes contemplados com bolsa, o Campus Uberlândia Centro também teve participação nas listas de espera dos editais. No Eurotunnel, Pedro Lucas Ferreira Souza ficou em 4º lugar, com 134 pontos, e Bianca Rafaella Vicente ficou em 6º lugar, com 119 pontos. No Choices, Anna Letícia Cunha Soares ficou em 8º lugar, com 120 pontos.
Trajetórias acadêmicas construídas antes da publicação dos editais
Embora os editais tenham prazos específicos de inscrição e seleção, os estudantes destacam que a preparação para uma oportunidade de mobilidade internacional começa antes da publicação dos documentos. Para eles, a classificação é resultado de uma trajetória formada por participação em projetos, atividades acadêmicas, estudo de línguas e envolvimento com a instituição.
Giovanna afirma que, desde que ingressou no IFTM e conheceu as oportunidades de internacionalização, passou a construir sua trajetória acadêmica também com atenção a esse objetivo. Para ela, o resultado representa o reconhecimento de um esforço acumulado ao longo do tempo.
“Desde que entrei no IFTM e descobri que existiam oportunidades de internacionalização, comecei a construir minha trajetória acadêmica pensando também nesse edital. Por isso, ver meu nome em segundo lugar e ser selecionada com bolsa foi muito gratificante. Foi como receber o reconhecimento de um esforço que vinha sendo construído há bastante tempo. Ao mesmo tempo, sinto que esse resultado não é só meu. Ele tem um pouco de cada professor, servidor, colega e projeto que fizeram parte da minha formação”, destaca.
A estudante cita como parte fundamental dessa caminhada a participação no PETi, o Programa de Educação Tutorial Institucional. Segundo ela, o programa reúne ações de pesquisa, ensino e extensão, além de abrir espaço para organização de eventos, apresentação de trabalhos e desenvolvimento de projetos acadêmicos e comunitários.
O Centro de Idiomas (Cenid) também aparece como elemento importante na preparação da estudante. Giovanna destaca que o contato com o inglês contribuiu para o processo seletivo e para sua formação acadêmica e profissional, já que o domínio de uma língua estrangeira amplia possibilidades de atuação e de participação em experiências internacionais.
Pedro também relata uma preparação iniciada no primeiro ano. O estudante participou de projetos, monitoria e organização de eventos, sempre com o objetivo de ampliar sua formação e fortalecer sua participação em oportunidades institucionais.
“Essa oportunidade representa muito para mim, porque é algo que eu trabalho desde o primeiro ano. Eu participei do programa de monitoria, organizei eventos e me preparei também no segundo ano. Quando consegui essa oportunidade agora, no terceiro ano, isso mostrou que tudo valeu a pena. Todo o meu esforço teve um resultado, e isso me incentiva a não desistir”, afirma.
A classificação no Choices veio após outras tentativas em editais de mobilidade internacional. Pedro conta que participou de processos anteriores e não foi contemplado, o que tornou a conquista ainda mais significativa.
“Essa já é a minha terceira tentativa. Tentei um edital no final do ano passado, tentei outro agora no começo do ano e, desta vez, consegui passar. Isso mostra que eu preciso ser uma pessoa perseverante, porque às vezes as coisas não vão ser como a gente imagina. No fim, tudo valeu a pena”, completa.
Estudo de línguas, entrevista e preparação para os desafios do intercâmbio
Os editais de mobilidade internacional do IFTM envolvem diferentes critérios de seleção. Para participar, os candidatos precisaram atender às exigências previstas nos documentos, como matrícula regular em curso do IFTM, desempenho acadêmico mínimo, comprovação de frequência e participação nas etapas de avaliação. Também houve avaliação de língua estrangeira, de acordo com o destino escolhido.
Na avaliação dos estudantes, a preparação para o edital vai além da reunião de documentos. Ela envolve constância, organização, participação acadêmica e desenvolvimento de habilidades que ajudam o candidato a lidar com situações novas.
Giovanna afirma que a parte mais desafiadora foi o processo anterior ao edital, marcado por uma rotina de trabalho, estudos, projetos, currículo, participação acadêmica e vida pessoal. Para ela, a seleção foi o momento de apresentar uma trajetória que já estava em construção.
“A minha preparação começou bem antes da publicação do edital. Acho importante destacar isso porque, quando uma oportunidade como essa aparece, dificilmente é possível construir toda a pontuação necessária em pouco tempo. É um processo anterior, que exige engajamento, constância e participação. Eu precisei conciliar trabalho, estudos, projetos, currículo, participação acadêmica e vida pessoal. Não é fácil, e eu não quero romantizar esse processo”, relata.
Pedro também se preparou para além das atividades acadêmicas. Segundo ele, o estudo do inglês ocorreu por meio de diferentes estratégias, como flashcards, imersão, jogos em inglês e tentativas de comunicação no idioma com outras pessoas. Para o estudante, a entrevista foi a etapa mais desafiadora. Ele relata que esse momento teve peso importante nas tentativas anteriores e exigiu uma preparação específica para que pudesse melhorar seu desempenho.
“A etapa mais desafiadora para mim foi a entrevista, porque eu não sou uma pessoa muito extrovertida, que fala muito. Na primeira tentativa, a entrevista não foi como eu esperava. Depois, estudei mais, pensei no que falar e tentei novamente. Finalmente, consegui superar essa etapa, que de certa forma havia me eliminado nas minhas duas primeiras tentativas”, explica Pedro.
Giovanna também destaca a importância da entrevista no processo de seleção. Para ela, a etapa avalia não apenas o domínio da língua estrangeira, mas também habilidades relacionadas à maturidade e à adaptação a novos contextos.
“A entrevista avaliava o domínio da língua e a capacidade de lidar com desafios e frustrações. Considero essa etapa muito importante, porque uma experiência de internacionalização exige maturidade. Estar em outro país, em outra cultura e diante de situações novas demanda autonomia, resiliência e capacidade de adaptação. São habilidades importantes para o intercâmbio, mas também para a vida”, avalia.
Cambridge, inglês e contato com novas culturas
Durante o intercâmbio, os estudantes selecionados participarão de curso de idioma no país de destino. Também estão previstas atividades culturais no contraturno das aulas, com o objetivo de ampliar a vivência acadêmica, linguística e cultural dos participantes.
Para Giovanna, a experiência em Cambridge será uma oportunidade de desenvolver o inglês em situações reais de comunicação. A estudante afirma que espera avançar não apenas no aprendizado técnico da língua, mas também na vivência cotidiana do idioma.
“As minhas expectativas são muito grandes. Em relação ao inglês, espero melhorar não apenas tecnicamente, dentro da sala de aula, mas também ao viver a língua no cotidiano. Acredito que estar em outro país permite um aprendizado muito mais completo, porque a língua deixa de ser apenas uma disciplina e passa a fazer parte de situações reais do dia a dia. Também espero sair bastante da minha zona de conforto”, afirma.
Pedro também destaca a expectativa de aprimorar o inglês por meio da imersão. Para ele, Cambridge representa a possibilidade de contato com a cultura inglesa e com estudantes de diferentes partes do mundo.
“Cambridge é uma cidade muito singular, muito diferente de Uberlândia. É uma cidade histórica, com uma arquitetura completamente diferente, e tem muitos estudantes. Na escola em que vou realizar o programa, há estudantes de várias partes do mundo. Então, vou ter contato com a cultura inglesa, mas também com culturas do mundo todo. Quero aprender mais, ter a mente aberta, abraçar a oportunidade e aproveitar o máximo que puder”, afirma o estudante.
A vivência internacional também se conecta aos planos acadêmicos de Giovanna. A estudante, que tem interesse na área de marketing, vê a experiência como uma forma de ampliar repertórios de pesquisa, comunicação e atuação profissional.
“Cambridge, para mim, também representa uma oportunidade de expandir meus horizontes de futuro. Tenho muita vontade de fazer um mestrado internacional e sinto que, na minha área, que é o marketing, essa vivência pode ser especialmente importante. Meu desejo é trazer para a minha formação uma visão do marketing cada vez mais baseada em pesquisa, rigor científico e evidências, e menos em achismos. Acredito que esse repertório pode contribuir para minha trajetória individual e também para a forma como pretendo atuar profissionalmente e academicamente no Brasil”, afirma Giovanna.
Pedro, que fará a viagem aos 17 anos, também vê o intercâmbio como um diferencial para sua formação. Mesmo sem ter definido ainda a área que pretende cursar na universidade, ele acredita que a experiência contribuirá para diferentes caminhos futuros.
“Um intercâmbio com 17 anos é realmente um diferencial no currículo. Quantas pessoas conseguem uma oportunidade dessas? Acredito que isso pode me tornar uma pessoa mais competitiva no mercado de trabalho, se um dia eu precisar. Também vai me ajudar muito a aprender inglês e, no futuro, isso pode ser importante para algum trabalho ou alguma vaga”, avalia.
Educação pública, internacionalização e inspiração para outros estudantes
Para os dois estudantes, a conquista da bolsa tem um significado que ultrapassa a experiência individual. As entrevistas mostram que a classificação é vista também como resultado das oportunidades oferecidas pela instituição e da participação em espaços formativos que envolvem ensino, pesquisa, extensão, idiomas e protagonismo estudantil.
Giovanna afirma que a bolsa representa a realização de um sonho, mas também uma responsabilidade: representar o IFTM fora do país e mostrar que estudantes da educação pública podem ocupar espaços internacionais de formação.
“Essa oportunidade representa, antes de tudo, a realização de um sonho. Mas ela também vem acompanhada de uma responsabilidade muito bonita: representar o IFTM fora do país e mostrar que estudantes da educação pública podem, sim, ocupar esses espaços. Eu me sinto muito orgulhosa e feliz por ter recebido esse apoio, mas também sinto que não estou indo sozinha. Levo comigo tudo o que aprendi no IFTM: os professores, os servidores, os colegas, os projetos de pesquisa, ensino e extensão, os grupos de estudo, o Cenid, os espaços de participação estudantil e todas as experiências que me formaram até aqui”, ressalta.
A estudante também destaca que a própria participação em processos como esse já transforma a formação dos estudantes, mesmo quando o resultado final não é a bolsa. Para ela, o envolvimento em projetos e oportunidades institucionais contribui para autonomia, produção científica, inovação e compreensão do papel da educação pública.
“Uma das coisas mais importantes para mim é pensar que essa conquista pode inspirar outros estudantes a se engajarem também. Independentemente do resultado final, esse processo de participação já transforma muito a nossa formação. Ele faz com que a gente produza ciência, pense em inovação, contribua com a comunidade, desenvolva autonomia e compreenda melhor o papel da educação pública. Se a minha ida também fizer com que outro estudante olhe para essas oportunidades e pense ‘eu também posso me preparar para isso’, ela ganha um significado ainda maior”, afirma.
Pedro também relaciona a aprovação à perseverança. O estudante avalia que a conquista mostra a importância de continuar em busca dos objetivos, mesmo após resultados anteriores abaixo do esperado. Para ele, a experiência em Cambridge poderá contribuir com o aprendizado de inglês, o currículo e a formação pessoal. Além disso, o resultado reforça o valor da preparação construída dentro da instituição, por meio de projetos, eventos, monitoria e outras oportunidades acadêmicas.
Após o retorno ao Brasil, os estudantes contemplados deverão apresentar relatório das atividades desenvolvidas e compartilhar a experiência com a comunidade acadêmica, conforme previsto nos editais.
Uberlândia Centro tem histórico de participação em programas de mobilidade internacional
Os resultados de Pedro Lucas Ferreira Souza e Giovanna Chiezo Barros dão continuidade a um histórico recente de participação de estudantes do Campus Uberlândia Centro em editais de mobilidade internacional do IFTM. Em 2023, Giovanna Bernardes dos Reis, então estudante do curso técnico integrado em Comércio, foi classificada em 1º lugar no edital BarçaOceania – Espanha e Nova Zelândia e participou de intercâmbio em Auckland, na Nova Zelândia.
No ano seguinte, outra estudante do curso técnico integrado em Comércio, Mariana Ferreira Souza, também foi classificada em 1º lugar no edital BarçaOceania. Com bolsa de auxílio, ela participou de intercâmbio em Barcelona, na Espanha, onde realizou curso de espanhol e atividades culturais previstas no edital. A própria Mariana relatou, na época, que contou com o apoio de Giovanna Bernardes durante o processo de inscrição, em uma demonstração de como as experiências anteriores ajudam a fortalecer a participação de novos estudantes.
Em 2025, o Campus Uberlândia Centro também foi representado por Gabriel Rodrigues da Silva, do curso técnico de Programação de Jogos Digitais Integrado ao Ensino Médio. Ele foi um dos dois estudantes de todo o IFTM contemplados com bolsa integral no Projeto Eurotunnel – Edição 2025 e participou de intercâmbio de duas semanas em Cambridge, na Inglaterra.
Sobre os projetos
O Projeto Eurotunnel – Edição 2026 selecionou estudantes do IFTM para intercâmbio cultural com duração de duas semanas, com início previsto para julho de 2026, em Paris, na França, ou Cambridge, na Inglaterra.
O Projeto Choices – Edição 2026 também integra o Programa de Mobilidade Internacional do IFTM e selecionou estudantes para intercâmbio cultural de duas semanas, com início previsto para agosto de 2026, em Barcelona, na Espanha; Paris, na França; ou Cambridge, na Inglaterra.
Os dois editais foram publicados pela Coordenação-Geral de Internacionalização e Centro de Idiomas do IFTM. Cada seleção ofertou duas vagas com bolsa, no valor de R$ 33 mil, destinadas aos estudantes mais bem classificados, além de vagas sem bolsa para os candidatos classificados nas posições seguintes.
**Matéria escrita por Guilherme Brasil
