IFTM Campus Uberaba aborda história de Anastácia em encontro do Projeto Vozes Antirracistas
Crédito: Elisa de Almeida Souza
O IFTM Campus Uberaba realizou, nesta terça-feira, 25 de agosto, o quinto encontro do Projeto Vozes Antirracistas – Personalidades Negras. Desta vez, a atividade teve como tema Anastácia e abordou a violência sofrida pelas mulheres negras durante a escravidão e as relações desse contexto histórico com questões presentes na sociedade atual.
Realizado no auditório da Coordenação Geral de Atendimento ao Educando (CGAE), o encontro deu continuidade às atividades do projeto e retomou a discussão anterior, dedicada a Esperança Garcia. A partir dessa conexão, foram abordados o contexto da escravidão e as diferentes formas de violência às quais as mulheres negras eram submetidas.
Anastácia é uma personagem ligada à memória da escravidão no Brasil e ficou conhecida pela imagem de uma mulher negra usando uma máscara de flandres. Uma das versões mais difundidas de sua história relata que ela teria sido escravizada e submetida a castigos e violência sexual. Apesar de não haver comprovação de sua existência histórica, sua imagem tornou-se associada ao silenciamento e à resistência da população negra.
Durante a atividade, também foi apresentada a origem dessa representação. Uma gravura produzida pelo francês Jacques Étienne Arago, no século XIX, é apontada como uma das referências para a imagem posteriormente atribuída a Anastácia. Em 1968, uma exposição organizada por Guilherme Schubert contribuiu para a difusão dessa representação e para sua associação à resistência negra.
O encontro também relacionou o contexto histórico a questões atuais, como racismo, machismo, violência contra a mulher e desigualdade. Para ampliar a discussão, os participantes analisaram imagens de mulheres negras e brancas em filmes, séries, jogos, músicas e outras manifestações da cultura popular, observando diferenças nas roupas, poses, exposição do corpo e formas de representação. A atividade abordou ainda a presença de estereótipos raciais e de gênero e a hipersexualização de mulheres negras.
A programação do Projeto Vozes Antirracistas – Personalidades Negras terá continuidade com novos encontros sobre personalidades negras e questões relacionadas às relações étnico-raciais.
