Clube de Leituras Negras e Indígenas promove aulão sobre o álbum "Txai", de Milton Nascimento
Crédito: Bruna Gonçalves
No dia 24 de setembro, às 13 horas, foi realizado, na Biblioteca do Campus Patrocínio, um aulão dedicado ao álbum "Txai", do cantor e compositor Milton Nascimento. A atividade foi promovida pelo Clube de Leituras Negras e Indígenas, vinculado ao Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI), e conduzida pela Profa. Dra. Rosana Pugina, com a participação de estudantes do 1º ano do Ensino Médio.
O encontro teve como objetivo auxiliar as alunas e os alunos na preparação para o Vestibular Seriado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que estabelece "Txai" como uma das obras de leitura obrigatória. Para além da preparação acadêmica, o aulão proporcionou uma reflexão sobre diferentes povos e relações sociais retratadas na obra.
Ao longo da atividade, foram abordadas questões relacionadas à Aliança dos Povos da Floresta, movimento que reuniu indígenas, seringueiros e outros grupos tradicionais em defesa de seus territórios e da preservação da floresta. Além disso, foram comentados alguns conflitos relacionados à proteção ambiental na Amazônia.
A discussão também destacou a ideia de coletividade presente no álbum e a importância da relação com o outro. Nesse contexto, refletiu-se sobre como a identidade individual e coletiva é construída por meio das relações humanas e sobre a necessidade de reconhecer o outro sem reduzi-lo a um objeto de consumo ou de representação.
Outro ponto tratado foi relativo à maneira como diversos grupos, como indígenas, ribeirinhos, seringueiros e quilombolas, foram historicamente colocados à margem por discursos de origem colonial. A discussão ressaltou que o termo “minorias” nem sempre representa numericamente esses grupos, podendo também evidenciar processos históricos de minorização e apagamento.
As reflexões sobre natureza e movimento também tiveram espaço durante o encontro. A partir da ideia de que “as nuvens e os rios são movimento”, as alunas e os alunos foram convidados a pensar sobre o ciclo da vida e sobre a relação entre os seres humanos e o ambiente. A discussão dialogou ainda com o conto “A terceira margem do rio”, de Guimarães Rosa, ampliando as possibilidades de interpretação da obra.
