Parceria cultural

Campus Sete Lagoas prepara ações em parceria com Casarão ainda para o primeiro semestre

Visita ao Casarão Centro Cultural Nhô-Quim Drummond fortalece diálogo entre educação, memória, cultura afro-brasileira e resistência popular
Publicado em 18/05/2026 17:58 Atualizado em 18/05/2026 18:09
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Professores participantes da visita do Campus ao Casarão dialogaram sobre memória, cultura popular e ações de aproximação entre o campus e o espaço cultural
Professores participantes da visita do Campus ao Casarão dialogaram sobre memória, cultura popular e ações de aproximação entre o campus e o espaço cultural
Crédito: Divulgação

O Campus Sete Lagoas, do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), realizou uma nova visita ao Casarão Centro Cultural Nhô-Quim Drummond, em Sete Lagoas, como parte das ações desenvolvidas pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) da unidade. A atividade reuniu servidores e estudantes em um diálogo com Mestre Saúva, referência cultural da cidade, e teve como foco a aproximação entre a comunidade acadêmica e as práticas culturais tradicionais do município. Em abril, representantes do Campus já haviam feito um primeiro contato com representantes do espaço.

Durante a visita, o grupo conheceu aspectos da história do Casarão, instalado em uma casa do século XVIII, e dialogou sobre festas populares, memória local e movimentos de resistência cultural. A programação também incluiu debate sobre os significados e as interpretações do 13 de maio, data associada à abolição formal da escravização no Brasil.

A atividade teve ainda como encaminhamento o convite para que Mestre Saúva participe de projeto de ensino desenvolvido pelo Neabi no campus, voltado à criação de um clube de leitura afro-brasileira e indígena. O encontro também serviu para definir uma nova ação, prevista para 30 de maio, quando estudantes e professores devem participar de oficinas promovidas regularmente pelo Casarão, como capoeira, teatro e artesanato.

A programação do dia 30 também deve incluir a exibição de um documentário de Mestre Saúva sobre o bairro Garimpo, apresentado como território de resistência cultural, além de uma feijoada de confraternização.

Professor de Sociologia do Campus Sete Lagoas e responsável pela Assessoria Administrativo-pedagógica para Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (AAP-EABI), Henrique Leão Coelho avalia que a parceria reforça uma dimensão central da educação ofertada pelos Institutos Federais.

“Essa aproximação reforça o sentido de origem dos IFs. O termo ‘integrado’ de nossa educação, que está infelizmente perdendo seu significado original e político, não é uma somatória de básico e técnico, mas uma referência à formação humana integral, multifacetada. Conhecer as múltiplas raízes da formação nacional é um traço fundamental para a educação integral e para cumprir a agenda antirracista do Neabi”, afirmou.

Segundo Henrique, a ação também amplia as formas de aprendizagem dos estudantes ao colocá-los em contato direto com experiências culturais vivas.

“Os alunos do IF aprendem de múltiplas formas. Eles antecipam uma preparação humanista e humanizadora típica das universidades federais. Aprendem com o ensino tradicional, mas também por meio de seu protagonismo e amadurecimento na pesquisa, na extensão e na atuação política de gestão do instituto. A ação junto ao Casarão coloca os alunos além do aprendizado meramente racional, por vezes, correto, mas distante, e faz o contato com a cultura ampla ser mais que um protocolo: acessar outras capacidades da subjetividade, da corporalidade e da afetividade é coerente com a ampliação da noção de cultura e formação de identidade. Mostra que muito do registro cultural nacional não está na palavra escrita, mas na vivacidade de práticas cotidianas de resistência e autoconsciência coletiva”, destacou.

Para Márcia de Fátima Xavier, professora do campus e responsável pela Assessoria Administrativo-pedagógica para Ensino, Pesquisa e Extensão (AAP-EPExt), a aproximação com o Casarão contribui para fortalecer o diálogo entre a instituição e a comunidade.

“Para o IFTM Campus Sete Lagoas, essa aproximação com o Casarão Centro Cultural Nhô-Quim Drummond é muito importante. Trata-se de um espaço vivo, dinâmico, de preservação da cultura, da memória e das raízes da nossa ancestralidade, que fortalece o diálogo entre educação, arte e história”, destacou Márcia.

Mestre Saúva e a cultura popular de Sete Lagoas

Conhecido como Mestre Saúva, Carlos Warley Vieira de Castro é professor, sambista e uma das referências da cultura popular de Sete Lagoas. Segundo reportagem publicada pelo portal SeteLagoas, ele é filho do sambista Geraldo Fubá e teve sua trajetória marcada pelo contato com o samba desde a infância. Em 2003, participou da criação do bloquinho Verde e Branco, que deu origem à escolinha de samba Império Verde e Branco, experiência que atuou por 12 anos na formação cultural de crianças e jovens.

Mestre Saúva também teve atuação como regente de corais, integrante do grupo Congadar e participante de eventos culturais em Sete Lagoas. Na entrevista ao portal, ele afirma que o samba pode cumprir diferentes funções, como expressar amor, protesto, alerta e posicionamento político.

Além de Henrique Leão Coelho e Márcia de Fátima Xavier, participaram da visita as professoras Marcia Rodrigues Brogio, responsável pela Assessoria Administrativo-pedagógica para Estudos de Diversidade, Sexualidade e Gênero (AAP-EDSG), e Adriana Aparecida Souza Aguiar, responsável pela Assessoria Administrativo-pedagógica para o Centro de Idiomas (AAP-CI) e pela Assessoria Administrativo-pedagógica para Extensão (AAP-Ext).

Também participaram os estudantes Arthur Gualberto Vilela, Deivid Gabriel Ribeiro Ferreira e Higor Mário Duarte Dias, todos do curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas Integrado ao Ensino Médio.

 

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