Cultura

Parceria entre IFTM e Casarão levou estudantes a vivência cultural em Sete Lagoas

Atividade promovida pelo Neabi reuniu oficinas, manifestações culturais e reflexões sobre a história e a identidade da população negra
Publicado em 21/06/2026 13:23 Atualizado em 21/06/2026 13:24
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Estudantes e professores do Campus Sete Lagoas durante visita ao Casarão
Estudantes e professores do Campus Sete Lagoas durante visita ao Casarão
Crédito: Divulgação

A parceria entre o IFTM Campus Sete Lagoas e o Casarão teve um marco importante no dia 30 de maio, quando estudantes participaram do sábado letivo “IFTM/Casarão: Um mergulho na cultura negra local”, realizado no Centro Cultural Nhô-Quim Drummond. A programação reuniu oficinas, vivências artísticas, exibição de documentário e momentos de interação com representantes da cultura popular do município.

A atividade foi organizada pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) do Campus e integrou as ações iniciadas após a aproximação institucional entre o campus e o Casarão, formalizada neste semestre. A proposta buscou ampliar o contato dos estudantes com manifestações culturais presentes em Sete Lagoas e promover reflexões sobre memória, identidade e pertencimento.

Segundo o professor Henrique Leão Coelho, coordenador do Neabi, a participação dos estudantes superou as expectativas da equipe organizadora. “Eu pensei que eles fossem ficar dispersos, mas se concentraram, se envolveram e assimilaram a proposta. Foi um evento bonito de integração, de história social geral e local e de expressão dos alunos”, avaliou.

De acordo com o docente, as atividades favoreceram a interação entre os participantes. “Acho que os estudantes ficaram muito integrados por conta da necessidade de trabalho em grupo e parceria que as danças, lutas e encenações pediam”, destacou.

Além das oficinas, os participantes assistiram a um documentário sobre a cultura popular do bairro Garimpo, produzido por integrantes do Casarão. Um dos momentos que chamou a atenção da equipe foi o interesse demonstrado pelos estudantes ao longo da programação. “Muita gente ficou impactada com a história das bonecas Abayomi”, observou Henrique.

Para o Mestre Saúva, gerente de Cultura do Casarão, a experiência demonstrou o potencial da parceria entre as instituições. “Foi um sábado que nos deixou vislumbrados com tudo o que aconteceu. Foi tão bom ver os meninos comprarem as ideias, chegarem às oficinas e se entregarem às atividades”, afirmou.

Segundo ele, os oficineiros também destacaram o envolvimento dos participantes. “Todo mundo saiu encantado com a entrega desses meninos. A gente apresentou um documentário sobre a cultura popular do bairro Garimpo e foi muito bonito ver todos sentados, em silêncio, prestando atenção e querendo conversar sobre aquilo depois”, relatou.

Ao final da atividade, Saúva reforçou o desejo de ampliar as ações conjuntas. “A casa está sempre aberta. Foi o que eu falei para eles: o dia que vocês quiserem fazer uma aula aqui, podem pedir para a diretora e vem todo mundo para cá.”

Bonecas Abayomi: símbolo de afeto, resistência e memória

Uma das oficinas desenvolvidas durante o sábado letivo foi dedicada à confecção das bonecas Abayomi, conduzida pela professora de Literatura e Artes, Márcia Rodrigues Brógio.

Segundo a docente, as bonecas se tornaram um importante símbolo da diáspora africana no Brasil. A tradição remete ao período da escravidão, quando mulheres africanas utilizavam pequenos retalhos de tecido para confeccionar bonecas destinadas às crianças durante as viagens nos navios negreiros. “As mães pegavam pedacinhos das roupas, rasgavam retalhinhos de tecido e faziam bonequinhos de nós para distrair as crianças. Eles eram pequenos para caber nas mãos e precisavam ser escondidos”, explicou.

A professora destacou que as bonecas eram produzidas sem costura, apenas com amarrações e nós, tradição preservada até hoje. Durante a oficina, cada estudante confeccionou sua própria Abayomi utilizando retalhos de tecido escuro para o corpo e diferentes tecidos para as vestimentas. “Quando retomamos a Abayomi com os meninos, é para eles entenderem o quanto é importante esse tipo de gesto. Com pequenas coisas, as famílias tentavam garantir conforto e bem-estar para as crianças. Ela também representa resistência e foi muito utilizada nos quilombos”, afirmou.

Para Márcia, a atividade despertou grande interesse dos participantes. “Os estudantes adoraram. Eles se empolgam, criam as roupas, fazem adaptações e acabam se envolvendo muito com a história que a boneca carrega. É uma experiência sempre muito gratificante.”

A oficina integrou o conjunto de atividades que buscou aproximar os estudantes da história da população negra e das manifestações culturais que ajudaram a formar a identidade de Sete Lagoas e do Brasil.

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