V Conerer em Patos de Minas: encantamento e imersão poética na riqueza Afro-Brasileira e Indígena
Crédito: Munís Pedro Alves e Ana Rita Silva - IFTM Campus Patos de Minas
“Abram as cortinas que o show já vai começar!” – O V Conerer, que ocorreu nos dias 24 e 25 de novembro de 2025, promoveu uma série de eventos artísticos e culturais que proporcionaram uma imersão profunda nas ricas heranças afro-brasileiras e indígenas. A programação foi bastante diversificada e reafirmou o compromisso da instituição com a educação antirracista e intercultural. Por meio de atividades artísticas – dança, teatro, capoeira, moda e música – o evento foi um convite à reflexão sobre memória e resistência, destacando a importância da ancestralidade e da identidade afro-brasileira e indígena.
Dança: corpos que contam histórias e desafiam paradigmas
As performances de dança contemporânea e urbana exploraram a complexidade das relações entre ancestralidade, corpo e território, cativando o público presente. A primeira apresentação iniciou com o Coletivo Corpo Ancestralidade do IFTM Campus Uberlândia Centro, que apresentou “Corpos Dessa Terra: Territórios Originários”. Esta obra foi inspirada em A Vida não é Útil (Ailton Krenak, 2020) e abordou a inseparabilidade entre ser humano e natureza, evocando a sabedoria dos povos originários. A apresentação é fruto do estudo do coletivo que articula capoeira, dança de rua, danças urbanas e dança contemporânea, reafirmando o compromisso com as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008. Teve direção artística de Dickson Duarte Pires, trilha sonora de Erickson Damasceno e figurinos de Milton Matos.
Na sequência, o mesmo grupo Corpo Ancestralidade apresentou “Ancestralidade Urbana: Experimentos Coreográficos”. Em fase experimental, é um trabalho de pesquisa em danças urbanas e suas relações com a memória afro-diaspórica e expressões contemporâneas de resistência. A colaboração com o dançarino e rapper Deny Borges enriqueceu a obra, que investigou o corpo como um campo de experimentação onde gesto, ritmo e palavra se entrelaçaram para tecer novas narrativas urbanas. Destaque para o significado do figurino branco, que, "inspirado no futurismo afro, simbolizou a potência de imaginar futuros em que ancestralidade e tecnologia se conectam, revelando a dança como espaço de criação, transformação e projeção de mundos possíveis", relatou o diretor artístico Dickson Duarte Pires. A trilha sonora ficou a cargo de Erickson Damasceno e o figurino de Laila Ribeiro Alves.
Do IFTM Campus Patos de Minas, coordenada pelas professoras Márcia Xavier e Cristina Matos, os presentes assistiram a coreografia “Dança, identidade: Neabi a partir das artes integradas”. O número, resultado de projetos de extensão, busca evidenciar a presença africana no Brasil, desde a travessia forçada à contemporaneidade, destacando a força das manifestações culturais afro-brasileiras. De acordo com Márcia Xavier, “A dança buscou evidenciar a presença africana no Brasil, desde a travessia forçada à contemporaneidade, sublinhando a continuidade e a força das manifestações culturais afro-brasileiras. A concepção artística celebrou a dança como linguagem de ancestralidade, religiosidade e transformação social, reforçando o corpo como um território de memória e resistência.” Assim, o espetáculo sublinhou a continuidade e a força das manifestações culturais afro-brasileiras.
Teatro, Desfile, Samba e Capoeira – resgatando memórias e fortalecendo raízes
O palco também serviu de espaço para a ancestralidade e a história local, com espetáculos que emocionaram o público, trazendo à tona narrativas importantes para a compreensão cultural. O encerramento das atividades programadas para o dia 24 ocorreu com o espetáculo “Sankofa” - Grupo Primeiro Ato. A peça, dirigida por Marcos Nepomuceno, narra a história de uma menina que parte em busca do bastão de seu avô moçambiqueiro, encontrando personagens que lhe revelam o valor de suas raízes e a importância de preservar o passado e resgatar a ancestralidade e a história. O título é inspirado no símbolo africano de mesmo nome, que fala sobre a importância de resgatar a ancestralidade e a história.
Pedro Vinícius Alves Fonseca, egresso do IFTM Campus Patos de Minas e um dos atores, afirmou: "Essa peça foi sobre o tradicional Terno de Moçambique Estrela do Oriente, que é um congado da nossa cidade, a gente contando a história real de como esse congado foi formado em Patos de Minas, e é muito importante a gente lembrar que Sankofa é lembrar e relembrar de tudo aquilo que aconteceu no passado, para que a gente torne o futuro melhor". Pedro ainda expressou seu agradecimento à comunidade e, em especial, ao Campus Patos de Minas pela organização do evento, destacando a importância de "conscientizar a população, a cidade e trazer cultura cada dia mais no nosso país".
No dia 25 de novembro, na área externa do IFTM Campus Patos de Minas, os participantes do Congresso puderam participar da “Oficina de Capoeira – uma vivência cultural” que une movimento, ritmo e ancestralidade. Facilitada por Walter Ventura, capoeirista que atua na valorização da cultura afro-brasileira e na formação de jovens e crianças, a plateia pode conhecer os fundamentos da capoeira, seus instrumentos, toques e cantos tradicionais, além de compreender sua importância histórica e social como instrumento de educação, resistência e inclusão. Uma experiência contagiante e enriquecedora para todos os presentes.
Fechando a manhã de atividades no campus, houve uma roda de samba com o grupo “Samba do Mercado”, grupo de Patos de Minas que surgiu de rodas de samba no Mercado Municipal e que conquistou vários espaços de apresentação da cidade. Com a voz marcante de Bertone e banda, o público foi embalado por clássicos do gênero, celebrando a musicalidade de matriz africana que atravessa gerações. A apresentação criou um ambiente de convivência, resistência cultural e alegria coletiva, reafirmando o papel do samba como expressão histórica e social que conecta comunidades.
Nesse mesmo dia, no período vespertino, o palco do Teatro Leão de Formosa recebeu o desfile “Moda Afro da Realceapsil - Beleza Negra em Movimento” – uma celebração da identidade e ancestralidade por meio da moda afro-brasileira. Coordenado por Renata Aparecida da Silva, trancista, contadora de histórias e artista da ancestralidade, o desfile apresentou "criações que valorizam a estética afro-brasileira", em que cada participante carregou "histórias e símbolos que reafirmaram a potência da beleza negra em movimento", explicou Renata. Um espetáculo vibrante que exaltou a cultura e a autoestima.
Encerrando a programação do dia 25, o Teatro Leão de Formosa sediou o espetáculo "Patos de Minas – nossa história sim!". A peça, coordenada por Renata Estevam de Brito, entrelaça memória, poesia e oralidade para revisitar a formação da cidade, dando voz às raízes negras e populares.
Em síntese, o IFTM, por meio dessas iniciativas, não apenas ofereceu entretenimento de alta qualidade, mas também cumpriu seu papel na promoção da cultura, da educação e do diálogo sobre temas essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. A comunidade participou ativamente e demonstrou grande apreço pelas atividades realizadas. As apresentações deixaram um legado de reflexão e valorização das raízes que contribui para o contínuo fortalecimento da identidade cultural brasileira.
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