V Conerer transforma Patos de Minas em palco com suas Exposições e Reflexões
Crédito: Letícia Estrela - Diretoria de Comunicação Social e Eventos do IFTM
Entre os dias 24 e 26 de novembro, ao sediar o V Congresso Nacional de Estudos das Relações Étnico-Raciais (Conerer), o IFTM Campus Patos de Minas e diversos locais na cidade se tornaram um verdadeiro palco para o evento. O congresso, que abriu as cortinas para um desfile de arte e sensibilidade, celebrou a riqueza das heranças afro-brasileiras e indígenas por meio de uma programação vasta e diversificada, reafirmando o compromisso da instituição com a equidade e uma educação integral e antirracista.
Exposições – prepare seu olhar e seu coração
Ao subir a rampa para adentrar a entrada do IFTM Campus Patos de Minas, os participantes do congresso eram recepcionados por um mural belíssimo, cujo destaque era uma pintura de Zumbi dos Palmares, realizada por Bianca Lima Alves, estudante do terceiro ano do curso técnico de Mineração integrado ao ensino médio. Compondo o cenário, objetos do grupo “Moçambique Estrela do Oriente”, tradicional Terço da cidade, e elementos associados à culinária indígena e africana, como mandioca, coco, banana, quiabo e milho, criando uma ambientação simbólica que dialogava com as raízes culturais celebradas pelo evento. O milho, inclusive, reforçava a identidade local, já que Patos de Minas é reconhecida como a Capital do Milho.
Na sequência, a exposição “NEABI: fatos em fotos”, uma mostra de fotos idealizada e desenvolvida colaborativamente entre a Coordenação de Ações Inclusivas e Diversidade (CAID), e os Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) de diversos campi da instituição. “Sua essência reside em uma missão clara: valorizar a diversidade e reconhecer a história e a cultura afro-brasileira e indígena, combatendo ativamente o apagamento histórico e os estereótipos racistas que infelizmente ainda permeiam a comunidade acadêmica e a sociedade em geral.”, relata o professor Marlúcio Anselmo. A partir da próxima semana, a exposição itinerante circulará pelos outros campi da instituição.
No hall do Teatro Leão de Formosa, outra exposição cativante marcou presença no evento: “Quilombo Itinerante”. Esta mostra traz um conjunto de fotografias que resgatam a rica e complexa história do Quilombo do Ambrósio, um dos mais significativos quilombos mineiros do século XVIII. Atualmente, os vestígios dessa comunidade histórica se encontram nas regiões dos municípios de Ibiá e Campos Altos, em Minas Gerais. Mais do que uma mera retrospectiva histórica, a exposição trouxe para o presente o cotidiano da Comunidade do Quilombo, em Ibiá.
Segundo a coordenadora do evento e desta exposição, Márcia de Fátima Xavier, “Esta iniciativa promoveu trocas de saberes e ações inclusivas com a população local, registradas em entrevistas e audiovisuais que enriqueceram a narrativa apresentada”. No mesmo espaço, estava a exposição de arte plástica da Unart, embora não tivesse uma relação direta com a programação oficial do congresso, sua presença enriqueceu o cenário, tornando-se um ponto de visitação adicional e contribuindo para a atmosfera de celebração artística e intelectual.
O palco do Teatro Leão de Formosa estava ornado com a exposição “Máscaras e telas”, resultado de oficinas realizadas no IFTM Campus Patos de Minas pelo projeto de extensão “Dança, Identidade: Neabi a partir das Artes Integradas”. As máscaras africanas atuam como símbolos culturais, repletos de ancestralidade, identidade e espiritualidade. Muitas das peças expostas foram produzidas por famílias inteiras – estudantes, pais e crianças – em um processo colaborativo que sublinhou a conexão geracional com a cultura.
Dia 25 de novembro – abrangência e impacto nas exposições
No IFTM Campus Patos de Minas, outras mostras, como "Comunidades quilombolas de Januária: a ancestralidade como resistência", do IFNMG Campus Pirapora, e "Raízes e Resistência: a herança afro-brasileira", do IFTM Campus Campina Verde, reuniram obras que retratavam a força, a resiliência e a ancestralidade das comunidades representadas. Mariele, do Campus Avançado de Campina Verde, descreve que trouxe para o Conerer uma exposição voltada para os Orixás, com obras realizadas pelo artista do Triângulo Mineiro, de Uberlândia, Lisandro Santiago. “A gente trouxe essas obras, justamente para tentar desmistificar a visão, que foi um produto da colonização acerca das religiões de matriz africana. Então, a gente trouxe aqui diversos Orixás, como Exu, para que a gente pense no conhecimento, na valorização com o conhecimento."
A estudante Kevellyn Cristina de Oliveira Silva, também de Campina Verde, ressaltou o poder intrínseco da arte na representação e na reafirmação da cultura afro-brasileira, por meio da pintura, um dos projetos do campus, para representar, a presença da cultura afro-brasileira. “É esse o significado, todas as cores, todas as representatividades têm um significado por trás. Então, para trazer essa história que não pode ser esquecida, que ela é presente, para tirar esse racismo estrutural e mostrar para as pessoas a força das pessoas pretas, negras e pardas.”, afirmou Kevellyn.
Ana Carla e Davi, do IFNMG Campus Pirapora, complementaram que a exposição é inspirada nas viagens aos quilombos de Januária, enfatizando o caráter emocional e social das peças. "Cada arte aqui, traz algum aspecto de Januária, alguma referência de algum lugar ou de algum sentimento proporcionado durante a viagem. E a nossa intenção, e a importância da nossa exposição, é mostrar a luta e a resistência dos povos quilombolas e mostrar o quão importante a cultura indígena é para todos nós.", disse Ana Carla. Davi destacou o quadro Interdependência, que “quando a gente fala sobre quilombos, porque Interdependência são seres humanos que são dependentes um do outro. Então, é muito linda essa palavra, e a gente trouxe uma tela justamente para falar sobre isso."
Em outra sala, estava a exposição “Insubmissas Letras: mostra de autores afro-brasileiros e indígenas”, que teve sua origem no IFTM Campus Paracatu, que ganhou uma adaptação inovadora e sonora no IFTM Campus Patos de Minas, intitulada “Vozes forjadas com fios de ferro: antologia sonora de celebração à literatura negra e originária”. Esta nova roupagem trouxe uma dimensão auditiva enriquecedora, com gravações de trechos literários lidos por servidores e estudantes, adicionando uma camada sensorial à celebração da literatura negra e originária.
Do IFTM Campus Uberlândia, a exposição “Revisitando o Quarto de Despejo” convidou o público a uma reflexão profunda e necessária sobre a obra de Maria Carolina de Jesus, importante escritora da literatura nacional. A exposição não se limitou à leitura, mas recriou o ambiente de escrita da autora, com livros, trechos do diário e elementos que remetem à sua vida e paixões, como a música, proporcionando uma experiência memorável.
Tainara Cristina Costa, estudante de Engenharia de Alimentos do Campus Uberlândia, detalhou a intenção pedagógica e social da exposição: "A intenção da nossa exposição era fazer um momento de visita ao Quarto de Despejo e trazer a reflexão dos visitantes quanto à temática. Então, a gente fez diversos murais, incluindo um mural com uma parte de músicas que refletem a atualidade com o passado, o presente, que é descrito no livro. Criamos também uma outra parte do mural com espelhos pendurados, com frases do livro e frases de efeitos e reflexão para trazer à sociedade, né, fazer as pessoas lerem e refletirem sobre o seu papel como ser social e quanto a luta da questão racial no Brasil."
Complementando o leque de exposições e atividades, o minicurso "Diálogos (im)possíveis: atualizações musicais de temas literários", coordenado pela Professora Rosana Leticia Pugina, do IFTM Campus Patos de Minas, ofereceu uma abordagem didática e inovadora para a literatura. “A atividade propôs um "passeio" pelas estéticas literárias – do Trovadorismo ao Simbolismo – utilizando a apreciação de músicas atuais como ponte para a compreensão”, explicou Rosana. Os alunos Vitória e João Pedro, do curso de Mineração, demonstrando o sucesso da iniciativa em conectar as escolas literárias com a cultura negra e aprofundar a visão sobre esses temas complexos de uma maneira acessível e significativa.
Uma das coordenadoras do evento, Marina Vallim (Caid), pontuou que o CONERER é um símbolo de resistência e se torna, a cada edição, mais potente na luta contra o racismo. “A energia das apresentações, oficinas e palestras nos encoraja a seguir buscando e defendendo, de forma concreta, uma instituição verdadeiramente antirracista.” Marina complementou que “Encerramos o evento com o sentimento de continuidade e responsabilidade: foi muito significativo ver o engajamento das comissões, da coordenação, de estudantes, servidores e da comunidade externa, construindo coletivamente esse espaço de enfrentamento ao racismo e de valorização das relações étnico-raciais no IFTM.”, afirmou Vallim.
Nesse contexto de partilha e reflexão, Flávio Caldeira, pró-reitor de Ensino do IFTM, expressou que foi uma honra participar e apoiar uma iniciativa que une pesquisa, ensino, extensão e políticas afirmativas, ampliando o alcance de vozes que historicamente foram silenciadas. Para Caldeira, “O Conerer 2025 foi mais um marco na consolidação de políticas educacionais comprometidas com a diversidade, o respeito e a formação de cidadãos e cidadãs críticos e protagonistas. E, seguimos firmes no propósito de uma educação que não apenas reconhece, mas valoriza e celebra nossas raízes e histórias.”
O impacto do Conerer na percepção e formação dos estudantes foi, sem dúvida, um dos pontos mais altos e emocionantes do evento. Os depoimentos dos jovens participantes revelaram a profundidade das transformações e reflexões promovidas pelo congresso. O V Conerer deixou, assim, uma marca de reflexão e inspiração, reforçando o poder da arte, da história e do diálogo contínuo na desconstrução de preconceitos e na edificação de uma sociedade mais consciente, inclusiva e verdadeiramente plural.
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