Arte, esporte e movimento marcaram abertura do JIF IFTM 2026 em Patos de Minas
Crédito: João de Paula Vieira Júnior/ JR Assessoria
Arte, esporte, corpo e imagem se encontraram na abertura do JIF IFTM 2026, em Patos de Minas. A cerimônia, realizada na noite do dia 21 de junho, contou com uma apresentação cultural construída especialmente para o evento, com dança, projeções no telão, frases relacionadas à proposta artística e a entrada de cabeções artesanais inspirados em grandes nomes do esporte.
A apresentação começou em ritmo mais lento, com as bailarinas em cena, e ganhou outra dinâmica a partir da integração dos cabeções à coreografia. As peças, confeccionadas por estudantes do IFTM Campus Patos de Minas, saíram das arquibancadas e entraram no espaço da apresentação, provocando uma mudança visual e sonora no espetáculo, que passou a dialogar com referências do hip hop e com a energia dos jogos.
A atividade foi coordenada pela professora de Artes do IFTM Campus Patos de Minas, Cristina Matos Silva e Dias, e reuniu estudantes em um trabalho coletivo que envolveu criação, pesquisa, dança, produção artesanal e preparação cênica. A proposta integrou dois projetos desenvolvidos no campus: o Multiartes e o Projeto Artístico-Esportivo.
Segundo Cristina, os projetos nasceram da intenção de aproximar Artes e Educação Física, especialmente em função da realização do JIF em Patos de Minas. A apresentação da abertura foi pensada como uma forma de homenagear o esporte e, ao mesmo tempo, valorizar a produção artística dos estudantes.
“São projetos que nasceram da ideia de integrar as artes com a educação física, em especial em função do evento do JIF. A produção foi mais prática, para a gente apresentar na abertura do evento. O primeiro são os cabeções artísticos, dentro do projeto Multiartes. Nós fizemos cabeções de esportistas e utilizamos esses cabeções na abertura do JIF com uma dança bem integrada, que homenageou a arte e o esporte”, explicou a professora.
Ao todo, 16 esportistas foram escolhidos para serem representados nas peças. A seleção considerou diferentes modalidades, trajetórias e referências nacionais e internacionais.
Entre os nomes citados pela professora estão Pelé, Ayrton Senna, Rayssa Leal, Fê Garay, Giba, Usain Bolt, Muhammad Ali e Cristiano Ronaldo, este último incluído a pedido dos estudantes.
Cabeções artesanais deram forma à homenagem aos esportistas
Os cabeções foram o principal elemento visual da apresentação. Produzidas de forma artesanal, as peças representaram esportistas de diferentes modalidades e foram incorporadas à dança no decorrer da cerimônia. A proposta não se limitou à exposição dos objetos: os cabeções entraram em cena como parte da coreografia e alteraram o ritmo da apresentação.
A entrada das peças aconteceu depois do início da dança com as bailarinas. A partir desse momento, estudantes que participaram da produção também passaram a integrar a cena, com os cabeções incorporados ao movimento. O resultado foi uma apresentação única, com duas dinâmicas: uma abertura mais suave, conduzida pelas bailarinas, e uma segunda parte mais intensa, marcada pela presença dos cabeções e por referências do hip hop.
A apresentação também contou com projeções no telão. Durante a atividade, o público acompanhou imagens e frases relacionadas à dança e ao processo artístico, o que ampliou a dimensão visual da proposta e aproximou o espetáculo da ideia de conteúdo transmídia.
Para Cristina, a escolha de incluir uma apresentação artística na abertura ajudou a ampliar o sentido da cerimônia. “Eu achei que foi uma forma diferente de abertura, para não ficar dentro daquele protocolar único, de só ver composição de mesa. Acredito que foi enriquecedor não ter uma abertura somente protocolar, mas também a parte artística”, afirmou.
Produção valorizou diversidade e representatividade no esporte
A escolha dos atletas representados nos cabeções buscou contemplar diversidade de gênero, raça, nacionalidade e modalidades esportivas. Cristina explicou que a intenção foi evitar uma homenagem restrita aos esportes mais populares e construir um conjunto mais amplo de referências para os estudantes e para o público.
“Nós nos pautamos por isso. Trouxemos esportistas mulheres, homens, esportes diferentes, não só futebol. A gente trouxe uma dimensão maior, com nomes do vôlei, do basquete, do atletismo, do skate e de outras modalidades. Não nos pautamos somente em esportistas nacionais, mas também no âmbito internacional. Procuramos a diversidade de gênero e de raça”, afirmou.
A professora destacou que a limitação a 16 cabeções ocorreu pela complexidade de produção e pelos custos envolvidos. As peças exigiram estrutura, etapas de secagem, aplicação de papel machê, uso de biscuit e acabamento individualizado para que cada esportista pudesse ser reconhecido por suas características visuais.
O processo envolveu diferentes etapas. Primeiro, os estudantes construíram a base estrutural dos cabeções. Depois, fizeram o encapamento, a moldagem com papel machê e biscuit e os detalhes responsáveis por individualizar cada personagem, como cabelo, formato do rosto e outros elementos visuais.
“É um processo lento, porque a gente tem que fazer uma estrutura e esperar secagens. A ideia foi construir um cabeção grande, uma caricatura do esportista. Depois veio o encapamento, o machê, o biscuit e os detalhes que individualizam o rosto, como cabelo e outras características”, detalhou Cristina.
Projetos de extensão ampliaram participação estudantil
A iniciativa envolveu três estudantes bolsistas e cerca de 30 estudantes com participação ativa, considerando os grupos responsáveis pelos cabeções e pela dança. Além dos bolsistas, outros participantes receberam certificação pelas atividades desenvolvidas no projeto.
Cristina explicou que o convite foi aberto à comunidade estudantil do campus. A equipe apresentou a proposta nas salas de aula e recebeu inscrições de estudantes interessados no perfil prático da atividade. A participação não dependeu de experiência prévia com técnicas artísticas.
“A gente divulgou para toda a comunidade dos alunos. Nem todos tinham habilidade com machê; muitos se descobriram dentro dessas propostas e gostaram muito das ideias. Foi uma escolha mais por identificação. Alguns disseram que não importava qual esportista fariam, porque queriam participar. Outros escolheram nomes que tinham relação com a própria história, como o Muhammad Ali, por marcar a infância”, relatou.
A produção também contou com colaboração externa da professora Mara Porto, do UNIPAM, que auxiliou principalmente nas práticas de confecção dos cabeções. A experiência dela com projeto semelhante, desenvolvido com cabeções de artistas, serviu de referência para a adaptação da proposta ao universo esportivo.
O financiamento das ações veio de editais de extensão. Cristina recebeu recursos do edital Multilinhas, via Reitoria, para aquisição de materiais, e também de edital de extensão do campus, que contribuiu especialmente para a concessão de bolsas aos estudantes.
Dança integrou linguagens artísticas na abertura
A estudante Larissa Alves Leal, do 3º ano do curso técnico integrado ao ensino médio em Logística, participou do projeto Multiartes e atuou diretamente na construção das coreografias. Ela foi convidada por Cristina por já ter experiência com dança e também colaborou, em alguns momentos, com a confecção dos cabeções.
Segundo Larissa, a coreografia misturou elementos de jazz dance e hip hop. O grupo iniciou o trabalho pela escolha das músicas, pela definição dos ensaios e pela organização das apresentações. Na etapa final, as estudantes ajustaram detalhes de limpeza coreográfica e figurino.
“No começo, a gente contatou outras pessoas que já dançavam na escola e começou com a escolha das músicas, a organização das coreografias e dos dias de ensaio. A gente já estava com praticamente todas as coreografias prontas e ajustou algumas coisas para limpar a coreografia e arrumar os figurinos. No final, unimos os dois projetos: começou com a dança e depois entraram os cabeções, com todas as pessoas que ajudaram na produção”, contou Larissa.
Formação foi além da técnica artística
O estudante Davi Gonçalves de Oliveira, também do 3º ano do curso técnico integrado ao ensino médio em Logística, participou da produção dos cabeções e destacou que a experiência ampliou seu contato com diferentes linguagens artísticas. Para ele, o projeto reuniu dança, pintura, escultura, moldagem e comunicação.
Davi entrou no projeto a convite da professora Cristina, que identificou nele um perfil compatível com a proposta. Desde então, passou a participar das atividades práticas e a acompanhar o desenvolvimento coletivo das ações.
“Eu gostei muito da ideia do projeto e das ações previstas, porque mexe com vários tipos de arte: tem dança, pintura, moldura e escultura. Isso chamou muito a minha atenção. O projeto cumpriu muito as minhas expectativas, porque as atividades planejadas aconteceram de uma maneira até melhor do que o esperado. Fiquei feliz em participar, desenvolvi habilidades e tive contato com artes que eu nunca tinha visto antes”, afirmou o estudante.
Além das técnicas de escultura e confecção, Davi destacou o desenvolvimento da comunicação. Por se tratar de um projeto de extensão, ele entende que a relação com o público também faz parte da formação dos participantes, especialmente pela necessidade de divulgar as atividades e apresentar os resultados para a comunidade.
“Essas habilidades foram mais no meio artístico e na comunicação. Como o projeto é de extensão, ele exige contato com o público externo. Além de realizar as atividades, é preciso pensar em formas de atingir esse público, cuidar da divulgação e mostrar as ações. Na área artística, o conhecimento veio muito pela parte da escultura, porque é algo que eu não teria contato se não fosse esse projeto”, avaliou.
Trabalho coletivo fortaleceu convivência e colaboração
A produção dos cabeções exigiu organização, paciência e cooperação entre os estudantes. Davi explicou que o processo prático favoreceu conversas, trocas de orientação e apoio entre colegas com diferentes níveis de habilidade.
“Como é uma área muito prática, a gente sempre pede orientações, opiniões, conversa e se diverte. A gente coloca a mão na massa junto. Isso fortalece muito e cria conexões novas, porque quem participa do projeto não é necessariamente quem já faz parte do meu ciclo social. São pessoas que têm interesse e vontade de participar das oficinas”, relatou.
Para o estudante, essa convivência contribuiu para sua formação como pessoa. Ele observou que cada participante tem um ritmo, uma forma de organização e diferentes facilidades com a produção artística. Por isso, o grupo precisou aprender a auxiliar quem tinha mais dificuldade e a manter um processo coletivo equilibrado.
“Eu diria que o projeto ajuda na convivência em sociedade. Cada pessoa tem seu jeito de fazer as coisas, seu tempo e sua organização. Quando alguém estava um pouco mais atrasado na confecção, a gente auxiliava. Isso é importante para o desenvolvimento como pessoa, não só na parte artística, porque você aprende a ajudar quem não tem tanta facilidade em certas áreas e a trabalhar para que todo mundo consiga entregar um bom resultado”, avaliou.
Campus Patos de Minas mantém tradição em projetos artísticos
A apresentação no JIF IFTM 2026 também refletiu uma trajetória de incentivo à arte no Campus Patos de Minas. Cristina lembrou que a unidade desenvolve projetos artísticos de forma recorrente, com destaque para o Painel Vivo, que chega à nona edição em agosto.
O Painel Vivo é uma atividade em que estudantes dão vida a obras artísticas por meio de composição visual e performance. A professora também citou a participação do campus em festivais da cidade, como o Festival de Patrimônio Histórico, no qual estudantes apresentaram uma peça teatral inspirada em tema trabalhado no Painel Vivo e conquistaram o primeiro lugar entre escolas de Patos de Minas.
“Acho que o campus tem uma veia artística bem marcante. A gente está sempre em movimento. O Painel Vivo é um clássico e já está na nona edição. É um projeto visualmente muito rico, em que os alunos dão vida a obras artísticas. Também participamos dos festivais da cidade e, no ano passado, ficamos em primeiro lugar entre as escolas de Patos de Minas com uma peça teatral. Eu acredito que a gente tem a nossa marca”, afirmou Cristina.
Para a professora, a abertura do JIF foi também uma oportunidade de mostrar o potencial artístico dos estudantes de Patos de Minas. A proposta reforçou a presença da arte em um evento esportivo e ampliou o protagonismo dos estudantes em uma cerimônia de grande visibilidade para a comunidade do IFTM.
Valorização da arte e dos estudantes
Para Larissa, a presença da arte no cotidiano escolar é um diferencial. Ela avaliou que nem todas as instituições oferecem esse tipo de incentivo e que projetos de extensão ajudam estudantes a se aproximarem de linguagens artísticas que, muitas vezes, ficam fora da rotina acadêmica.
“Eu achei muito interessante desde o início, porque praticamente nenhuma escola da cidade tem esse incentivo. Ter uma escola que se preocupa em trazer a arte para dentro dela e para as pessoas é muito importante. Isso incentiva os alunos a se interessarem mais pela arte”, afirmou.
Davi também destacou a importância de apresentar o trabalho na abertura do JIF. Para ele, o momento valorizou tanto a obra quanto os estudantes envolvidos no processo de criação, já que os próprios participantes estiveram presentes na apresentação do resultado.
“É uma oportunidade muito legal, porque a pessoa, além de fazer esse trabalho artístico, também participa da exposição. Isso traz um entusiasmo a mais, porque é um momento muito aguardado pela comunidade do IFTM. A pessoa mostra o trabalho que fez com tanto esforço e também está ali como artista. Não é o trabalho aparecendo e o artista sendo apagado. Tem a valorização da arte e do artista”, concluiu.
Matéria redigida por Guilherme Brasil, jornalista do IFTM Campus Uberlândia Centro, com apuração de Danilo Silva de Almeida, coordenador de Comunicação Social e revisão de Ana Clara Santos Costa, diretora de Comunicação Social e Eventos.
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